Quem sabe você não é mais aquela garotinha


Quem sabe você não é mais aquela garotinha. 

Sentada no ponto de ônibus, completamente sozinha. Os dedos inquietos enrolando o cabelo escuro. As pernas esfregando, uma na outra, as meias três quartos. Seus lábios se movendo timidamente, com o mesmo ar enérgico de uma reza. Tudo parecia muito diferente de anos atrás. Mas seu rosto angelical ainda era o mesmo. O mesmo ar infantil. Como se seu mundo se mantivesse alheio às verdades. 

Quem sabe você não é mais aquela garotinha. Que corria com os joelhos ralados e se sujava junto com todos os meninos. Com o cabelo sempre preso em um rabo de cavalo e os óculos tortos escorregando pelo nariz fino. 

Agora sua alma poetiza tinha os olhos distantes, sonhadores. O corpo ainda vazio do prazer de amar, mas não estava esperando por um príncipe, cavaleiro ou bardo. Tão diferente da garotinha que conheci há anos. Os lábios naturalmente rosados, movendo-se sedutoramente. Carregando um livro clássico sob o braço e escutando alguma música nos fones discretos. E pensar que você ainda repetia a velha frase: "Deveria parar de perder tempo sonhando". Mas sonhar era o que mais fazia. 

Não era mais uma criança como eu costumava vê-la. Havia se tornado uma mulher. E eu só agora me dando conta do quanto cresceu. 

Você não era mais aquela garotinha. 


[Baseado em "Malandragem" - Cazuza e Frejat / Cássia Eller]

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