54- Bateu a porta e foi embora.


Ontem você disse que não quer mais nada. Bateu a porta, foi embora. Eu fiquei só. Sentado em pleno corredor. Encarando a parede branca e me lembrando de tudo o que aconteceu nos últimos oito anos. Não sei se você se lembra, mas foi no café da rua de baixo que nos conhecemos. Você tomando suco de laranja. Eu apressado como sempre, esperando impacientemente o meu copo extra-grande de café com Chantilly. Você ainda acha engraçado eu detestar café, mas só beber isso. Eu ainda acho engraçado você adorar café, mas só beber suco. Eu estava saindo e você levantando. O choque foi inevitável, mas durou por oito longos anos. Quem diria. Lembra-se do primeiro encontro? No parque da cidade, você aprendendo a andar de patins e eu mostrando meus dons enferrujados? Mas claro que você me mostrou que era muito melhor do que eu na velha mesa de pebolim esquecida no fundo da minha garagem. Não sei se você se lembra, do primeiro beijo, na frente do meu trabalho, depois de muito tempo que eu tinha planejado te beijar. Não sei se você se lembra, da nossa primeira noite juntos, ao som de Elvis (o seu favorito) e Tchaikovsky (o meu favorito). Não sei se você se lembra, de todas as risadas, abraços e noites com falta de luz (que passamos contando histórias de nossos antepassados). Não sei se você se lembra. Quando eu fui à sua formatura e você veio morar comigo. Ou quando decidimos nos mudar para um bairro mais calmo (e, coincidentemente, perto de onde tudo começou). Não sei se você se lembra. 

Mas você disse que não quer mais nada. Bateu a porta e foi embora. 

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