56- Na estrada


O asfalto estava molhado pelas minhas lágrimas. Os tênis rotos arrastavam-se pela estrada, afastando-se de toda dor, mas também de todos momentos felizes. As despedidas sempre foram difíceis e desta vez não teria mais uma forma de voltar e dizer que havia sido uma brincadeira de mal gosto. Tinha tudo ficado para trás naquela cidade que sempre foi meu pequeno mundo, mas que estava prestes a se tornar apenas passado. 

Disseram-me para não olhar para trás, que o futuro era seguindo adiante. A dor do adeus iria passar e tudo iria ser diferente. Disseram-me para ter coragem e seguir meus sonhos. As coisas se organizariam, mais cedo ou mais tarde.

Paro. Estou sozinha nessa infinita estrada. Poderia virar rapidamente o rosto, só para conferir se tudo estava bem, mas eu sabia que a cidade se estendendo pelo horizonte me faria lembrar de tudo e desistir. Respiro fundo. Corro. Meu rosto vira-se brevemente, ignorando as ordens de meus pensamentos, mas já é tarde demais. Eu já estava muito longe para desistir. 

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