36- O beijo


Você não estava tão distante. Eu podia até sentir o seu hálito fresco pós-halls-preto. Você estava lindo como sempre, chegava até a brilhar. Perfeito. Era como eu lhe via. Perfeito.

Meu peito tocava com forças seus tambores e minhas pernas tomavam forças para caminhar. Com dificuldade, dei o primeiro passo. As bochechas se encheram de coragem de coragem - ou de ar, em uma expressão infantil - fiz com que os outros passos fossem mais rápidos e quando percebi, já estava na sua frente.

Você sorriu aquele sorriso de dentes perfeitos. Seus olhos claros brilharam alegremente. Perfeito.

Aproximei a cabeça da sua, tomada pela loucura da paixão. Você não recuou, mesmo entre seus amigos idiotas, apenas se aproximou e pregou os lábios nos meus.

Uau! Tinha sido mais fácil do que eu imaginava. Seus braços envolveram minha cintura e minhas mãos agarraram-lhe os ombros.

O beijo durou. Entre toques quentes e bochechas vermelhas. Durou tanto que perdemos o fôlego. Intenso. Perfeito. Igual a você.

Mas as gargalhadas explodiram ao nosso redor e eu abri os olhos. Você ria com seus amigos idiotas, enquanto eu estava parada bobamente no meio do caminho de vocês.

Você desviou. Passou ao meu lado ainda rindo, sem nem ao menos falar nada.

Minha bochecha queimava. Meus olhos permaneciam estupefatos. 

O beijo. Nada mais do que ilusão. Nada mais do que sonho. Nada mais do que vergonha.

E agora eu procurava um buraco para me enterrar.

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