A Vitrola


A vitrola tocava uma música triste. O por do sol coloria a janela baça. O quarto estava escuro, mesmo com a luz do céu. Dentro tudo parecia ter sido pintado delicadamente de preto e branco. 

A mulher sentada na cama bagunçada olhava a janela. Esperava o sol se por totalmente, sabia que o esposo chegaria aquela hora.

Quando a luz se tornou trevas, a porta se abriu. O homem caminhou trôpego até a cama e jogou a maleta ao lado da mulher.


Trocaram palavras ásperas. Há algum tempo o amor tinha acabado. Mas um dia tinha existido o amor?

Ele caminhou até a janela e a fechou. Falou mais alguma coisa e não ficou satisfeito com a resposta. Investiu contra a cama e derrubou a mulher no chão. Agarrou-a novamente. Ela sentiu as costas tocando a parede. A camisola branca tapava as manchas escuras.

Ele se irritou com a música. De um tapa o aparelho foi ao chão. Caiu na frente da moça. Mas a música continuou ressoando dentro da cabeça dela, mesmo com toda a força que ela fazia para tapar as orelhas e abafar os gritos.

Não dava para ouvir os gritos da rua. Nunca dava. Ninguém ouvia e se ouvia não se importava.

E a música ainda ressoava em algum lugar. Até depois dos gritos cessarem.

(Imagem: We Heart It)

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