Resenha de Contos

 Como estou lendo bastante contos por agora, decidi começar uma nova coluna, a de resenhas de contos. Por que é diferente das outras resenhas? Porque ela vai ser principalmente opinatória. Contos são por natureza textos pequenos e eu não irei resumi-los para não deixar escapar nada. Espero que gostem! 


Um Passo em Falso - Helena Dias


Helena tem um jeito bastante envolvente de narrar. O conto guarda detalhezinhos que podem influenciar na sua leitura e entendimento do final da obra (claro, se você quiser prestar atenção ou não a eles). Não me surpreendi tanto com o final, mesmo algumas pontas ficando em aberto para que o leitor pense no que quiser pensar que acontecerá depois. Mas gostei bastante e com certeza lerei mais obras da autora no futuro.

 Esquecida - Susana Yunis

Acho que esses é um daqueles contos que você acha que sabe tudo desde o início, que nada irá lhe surpreender. Eu particularmente, depois de ler o conto, não gostei tanto da sinopse, mas isso é coisa minha. O final pode não ser a maior reviravolta dos tempos, mas depois que eu li tive que reler o conto inteirinho e realmente perceber como tudo se encaixava. Parabéns, conseguiu me enganar, sua safadinha. 


Sacrifício - Giuliana Sperandio


Por mais que eu não tenha sentido tanto assim estar lendo um conto, gostei bastante de Sacrifício. A escrita da autora é fluída e envolvente, fazendo com que o leitor mergulhe nos sentimentos da narradora. Um texto simples, mas com uma imensa beleza nos sentimentos e forma. 


Amor Infinito - Mary Diniz

Acho que só não gostei mais do conto por causa da escrita da autora. Não que seja ruim, não é isso, mas não me atingiu como eu esperava. Achei o final bastante interessante e o conto de um modo geral me lembra P.S. Eu te amo, mas com um final de conto de terror (não por ser assustador, mas quem leu o conto e conhece contos de terror irá entender). 



Então, galerinha. Por enquanto é só. Espero que tenham gostado. Já leram algum desses contos? Se não, espero que agora tenham vontade de ler. Se sim - ou se já conheciam, deixa ai o que acharam. Beeeeijocas e até mais!


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Problemas


Tudo aconteceu 
Rápido
Pegou-nos de surpresa
Derrubou-nos no chão
Obrigou-nos a lidarmos
Com nossos problemas
E será
Que já solucionamos
Os antigos?
O que brilhava
Foi consumido pela
Escuridão
Sem saída
Sem saída
Sem saída...
Dedos tateando o nada
Desejosos
Buscando
Acham!
Tudo aconteceu
Rápido
Pegou-nos de surpresa
Derrubou-nos no chão
Obrigou-nos a lidarmos
Com nossos problemas
E aqui estamos
Lidando com eles.

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Resenha - Contos dos Irmãos Grimm


Desde que eu me entendo por gente sou apaixonada por Contos de Fadas. Os "originais", os fofinhos, as versões Disney, as versões "modernas". Praticamente todos me agradam e aprendo algo com todos eles. Como agora estou estudando o formato do conto - principalmente contos de fadas e contos do folclore - decidi finalmente terminar de ler "Contos dos Irmãos Grimm" e, além de entender um pouco da estrutura, me deliciar com esse universo mágico e medieval. Então aqui está um pouquinho do que achei. 


Contos Dos Irmãos Grimm - Organizado pela Dra. Clarissa Pinkola 

Editora: Rocco
Número de Páginas: 316

Contos dos Irmãos Grimm reúne histórias especialmente escolhidas e prefaciadas por Clarissa Pinkola Estés, e ilustrações do artista vitoriano Arthur Rackham, principal responsável pela concepção visual dos contos de fadas, tal como a conhecemos hoje. Esta combinação de talentos, junto com a seleção meticulosa, que inclui contos muito conhecidos pelo público brasileiro, como "Branca de Neve" e "Rapunzel", e histórias menos disseminadas como "As Três Línguas" e "A Árvore Narigueira", fazem deste Contos dos Irmãos Grimm uma edição em tudo especial.
Os irmãos Grimm eram linguistas alemãs que se ocuparam em juntar fábulas antes passadas de boca a boca. Suas versões não são as originais, já que muita coisa foi tanto atenuada ou simplesmente modificada - como eram contos populares, muitas vezes mudavam de região para região ou na hora de passar no boca a boca. Muitos contos presentes nessa edição são desconhecidos ou menos populares, mas com certeza representam bem a época de sua origem.

As histórias possuem uma linguagem simples e são bem fluídas, características de histórias infantis, mas se engana quem acha que aqui só teremos os contos de fadas bonitinhos e cheios de purpurina que nos contam desde nossas infâncias. Como a época era diferente, muita coisa para nós hoje em dia não tem mais sentido, assim como podemos estranhar a brutalidade com que os fatos são acarretados, então é preciso ter cuidado se for ler para crianças. 

Essa questão da época, para mim pelo menos, foi importantíssimo na hora de entender e até gostar de certos contos. Não que eu esperasse que todos fossem um Chapeuzinho Vermelho da vida, mas muitos eu me peguei encarando o ponto final tentando entender o que eles queriam passar com aquilo - mesmo na época deles. Pode ser que em alguns contos eles não quisessem passar nenhuma lição de moral? Pode. Pode ser que eu tenha que voltar no futuro - como diz a organizadora em seu prefácio - e tentar novamente? Pode. No momento só posso dizer que isso não me agradou tanto, e muitos contos me poderiam ter sido substituídos por outros que, na minha opinião, eram mais interessantes. Também sobre a época, podemos ver nos contos uma forma de passar a religião, além de ditar como todos devem se comportar e seu lugar na sociedade (principalmente as mulheres). 

Mas acho que apenas isso me incomodou verdadeiramente. A edição é linda, as ilustrações de Arthur Rackham são maravilhosas e eu gostei bastante da introdução da Clarissa. Acho que ao ler alguns contos deve se tomar um pouco de cuidado, até para si mesmo, para não se assustar com algumas situações que estão longe de ser aceitáveis em nossa sociedade (pelo menos para pessoas com suas faculdades mentais intactas). 


E você? O que acha dos contos dos Grimm? Qual o seu favorito e qual versão lhe conquista mais? Ah! não se esqueça de comentar com o que achou da resenha.

Obrigada por ler! Beijocas e até mais!
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Resenha - Eu, Christiane F., Treze Anos, Drogada, Prostituída...

Eu, Christiane F., Treze Anos, Drogada, Prostituída... - Kei Hermann & Horst Rieck
Editora: Best Seller
Páginas: 320


Best seller ganha edição de bolso com texto integral. Os depoimentos foram colhidos no final dos anos 1970 pelos jornalistas Kai Hermann e Horst Rieck, que faziam uma reportagem sobre os jovens da Alemanha quando conheceram Christiane F., que testemunhava no julgamento de um traficante. Após meses de entrevistas, os dois escreveram este livro sobre juventude, drogas e prostituição.

O livro é uma não-ficção construída a partir de relatos de Christiane e pessoas que por alguma razão estavam ligadas à ela. Tudo começa quando Christiane se muda para Berlim, ela tenta de tudo se tornar popular, andar com os mais influentes e etc. E isso faz com que ela se afunde cada vez mais. 

No início ela começa provando drogas mais leves, como cigarro, estimulantes e calmantes... Depois, como vai conhecendo novas pessoas e novos grupos, ela passa a usar drogas mais pesadas.

Christiane era uma criança influenciável, que apenas queria ser aceita e fazer amigos, porém, entrou em um mundo que achou ser sem saída. 

A principio, os relatos não são tão impactantes. Apenas uma adolescente se envolvendo com drogas e tentando viver com todos os problemas que a cerca. Porém, assim como Christiane, vamos adentrando o mundo das drogas e da prostituição, dando de cara com situações cada vez piores, a morte de conhecidos, o reconhecimento de que chegou ao fundo do poço...

Eu diria que esse livro é no mínimo agoniante. Nós começamos a torcer para a personagem para acabar logo com tudo aquilo e dar um fim ao seu sofrimento e ao da família, mas, quando achamos que ela finalmente irá deixar a droga, ela volta e volta e volta. Se já não soubesse o final (obviamente) diria que a qualquer página iria ler um depoimento da mãe da garota, ou sei lá, de qualquer outra pessoa, dizendo que ela foi mais um dos nomes que apareceu no jornal. 

O livro é intenso. Com momentos "felizes" e outros bastante tensos, que lhe fazem parar e pensar na vida de usuários. Vemos os dois lados, vemos que a droga propicia bons momentos, que a "viagem" pode ser boa e ruim. Mas será que compensa? Christiane achou que poderia parar a qualquer momento, que não estava viciada em heroína. Que poderia se picar mais uma vez e nada aconteceria, só teria aquela boa sensação novamente. Enquanto isso (eu pelo menos) ficamos sofrendo de frente para o livro. 

Por mais que tenha sido uma leitura impactante, gostei bastante. Ainda mais porque li afim de pesquisa e não deixou a desejar em nenhum aspecto. Acho que é um livro importante para adolescentes principalmente, e para pais. 


E você aí? Já leu? Se não me engano, tem um filme baseado na história de Christiane, ainda não tive oportunidade de ver, mas espero logo poder. Não deixe de comentar com sua opinião, - sobre o livro e a resenha. Espero lhe ver novamente ;) 
Beijos e até!
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Resenha - Os 13 Porquês

Os 13 Porquês - Jay Asher
Editora: Ática
Páginas: 256






Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra um misterioso pacote com várias fitas cassetes. Ele ouve as gravações e se dá conta de que foram feitas por uma colega de classe que cometeu suicídio duas semanas antes. Nas fitas, ela explica que 13 motivos a levaram à decisão de se matar. Clay é um deles. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

Imagina você chegar em casa e se deparar com uma caixa cheia de fitas cassetes. No início, Clay não compreendeu o que tudo aquilo significava até escutar a primeira fita. Em suas mãos, estavam os 13 motivos pelo suicídio de Hannah, uma colega de classe - por quem Clay estava apaixonado. 

Escutar fita por fita, entrega-se à narração de Hannah e sofrer junto com ela tudo o que a fez decidir retirar sua própria vida faz, é por isso que Clay deve passar antes de entregar a caixa ao próximo porquê. 

A história é narrado em primeira pessoa, variando entre Clay e Hannah. Vamos junto a ele, caminhando pela cidade, escutando a fita e tentando sentir o que a garota sentiu nos lugares listados por ela mesma. A narração de Hannah é entrecortada, já que Clay precisa fazer seus comentários ou pausar cada fita (acho que talvez por isso eu não tenha me envolvido tanto com a história de Hannah).

O livro passa uma mensagem importante. Muitas vezes nos preocupamos mais com os nosso umbigos, agindo de maneira impensada e que muitas vezes atinge outras pessoas. Os 13 Porquês nos alerta não apenas para o suicídio na adolescência, mas também como nós influenciamos a vida de outra pessoa (em qualquer idade). 

Acho que não gostei mais porque: Clay cortava demais (mesmo eu entendendo seus motivos e isso fazendo com que a história tivesse mais dinâmica); não me identifiquei tanto com a Hannah; acho que esperei muito desse livro e fiquei um pouco decepcionada no final. 

Porém, é uma história muito interessante, de leitura rápida e que faz pensar bastante ao seu fim. Um livro que deveria ser mais conhecido, principalmente entre adolescentes (quando todo mundo acha que o mundo é uma festa, mas está longe de ser uma). Mas com um ensinamento para toda a vida. 


Desculpem a demora para postar a resenha, eu estava um pouco desanimada com ~tudo~, mas me forcei a escrevê-la. Espero que tenham gostado. Já leram o livro? Têm vontade de ler? Não deixem de comentar e compartilhar :)
Beijocas e até mais!!!
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Sempre acaba me alcançando


Meus pés caminham rápidos pela vereda. Eles fogem do mundo às minhas costas. Ele está ali também. Eu consigo ouvir seus passos, as folhas secas partem-se sob seus imensos sapatos. Ele não tem pressa, normalmente sempre acaba me alcançando. Mas não daquela vez. Daquela vez eu seria mais rápida. Eu sinto sua respiração presa à minha nuca. Sinto o calor de seus lábios. Não! Não daquela vez. Venço a tentação de me virar e lhe ver. Acelero. Chegando em casa, esconderia-me lá dentro, ele não poderia fazer nada. A maçaneta da casinha de campo está a centímetros. Ergo a mão e me refugio lá dentro. Rodo a chave. Abaixo o capuz vermelho. Não tenho coragem nem de lhe ver pela janelinha. Ele não força a porta, eu sabia que não faria isso. Mas sei que ainda está lá. Sei que sussurra. Consigo ouvi-lo. E sussurra, incendiando meu corpo. Consigo ouvi-lo. E, como sempre, minha mão sobe novamente para a maçaneta. Rodo a chave. 

Todos dizem que ninguém consegue fugir dele. E ele... Sempre acaba me alcançando. 
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Resenha - As Vantagens de Ser Invisível

As Vantagens de Ser Invisível - Stephen Chbosky
Editora: Rocco
Páginas: 224





Ao mesmo tempo engraçado e atordoante, o livro reúne as cartas de Charlie, um adolescente de quem pouco se sabe - a não ser pelo que ele conta ao amigo nessas correspondências -, que vive entre a apatia e o entusiasmo, tacteando territórios inexplorados, encurralado entre o desejo de viver a própria vida e ao mesmo tempo fugir dela. As dificuldades do ambiente escolar, muitas vezes ameaçador, as descobertas dos primeiros encontros amorosos, os dramas familiares, as festas alucinantes e a eterna vontade de se sentir "infinito" ao lado dos amigos são temas que enchem de alegria e angústia a cabeça do protagonista em fase de amadurecimento. Stephen Chbosky capta com emoção esse vaivém dos sentidos e dos sentimentos e constrói uma narrativa vigorosa costurada pelas cartas de Charlie endereçadas a um amigo que não se sabe se real ou imaginário. Íntimas, hilariantes, às vezes devastadoras, as cartas mostram um jovem em confronto com a sua própria história presente e futura, ora como um personagem invisível à espreita por trás das cortinas, ora como o protagonista que tem que assumir seu papel no palco da vida. Um jovem que não se sabe quem é ou onde mora. Mas que poderia ser qualquer um, em qualquer lugar do mundo.

As Vantagens de ser Invisível é um romance epistolar, tudo o que sabemos foi escrito por Charlie - um jovem de 15 anos - para um remetente sem nome. Pela narração leve e envolvente de Charlie, somos introduzidos ao seu mundo. Escola, família, amigos, drogas, sexo... Uma época de descoberta tanto para o protagonista quanto para qualquer adolescente. 

Desde o início percebemos que o autor das cartas não é tão igual aos outros adolescentes assim. Charlie é um garoto.. Digamos, ingênuo? Ele não vê maldade nas coisas como as outras pessoas e sua narração possui um ar infantil que apenas ajuda na construção do personagem. Muitos momentos trágicos em sua vida - que vamos descobrindo no decorrer das cartas - fizeram com que o personagem se transforma-se no que era, mas isso tudo só descobrimos quanto mais lemos. 

Charlie quer se enturmar, arrumar seu lugar no mundo, "participar". Depois do suicídio do amigo, ele se vê sozinho, encontrando novamente conforto perto de Sam e Patrick. Como o protagonista é bastante ingênuo e sempre quer que as pessoas ao seu lado estejam bem, ele tende a fazer o que os outros esperam que ele faça.

A princípio, senti que as atitudes do garoto, assim como sua linguagem não condiziam muito com sua idade. Porém, isso foi me agradando cada vez mais. Como eu disse, isso apenas ajudou a criar a imagem do personagem e mostrar que nem todo mundo é igual e nós não sabemos como cada pessoa pensa sobre o mundo que a envolve. 

Como Charlie apenas observar sua própria vida, os outros personagens se tornam de suma importância. São eles que "moldam" o comportamento do garoto, mesmo que muitas vezes sejam contrários a isso. 

O final do livro foi um baque (talvez nem tanto para quem tenha assistido ao filme). Mesmo que seja uma memória surgida "do nada",  isso não me afetou tanto, já que para todos da história também era uma surpresa (até mesmo para Charlie, que não se lembrava do ocorrido). Não acho que tudo tenha se resumido a esse fato do passado, mas com certeza ele foi bastante importante na vida do personagem.

Um livro que trata de temas sérios, com uma língua simples e bastante fluída, mas que consegue lhe tocas imensamente. Simplesmente amei o livro (por mais que eu goste de muitos livros, poucos chegam ao estado do "amor" e esse foi um deles).  

Super indicado a todo mundo. Espero que ele lhe toque da mesma forma que me tocou.


Então, meus amores, o que acharam? Já leram o livro? Pretendem ler? Gostaram da resenha? 
Não deixem de comentar a opinião de vocês :3 
Beijocas e até!

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