Resenha - O Pecado de Emerlly [18+] + SORTEIO DE MARCADORES


Oi, pessoal! Quanto tempo, não é mesmo? Venho trazer para vocês uma nova resenha, de mais um livro da autora nacional Elissande Tenebrarh (eu sempre esqueço que tem um r antes do h u.u hehe). É uma história que comecei a acompanhar quando era ainda um filhotinho no wattpad, mas que só agora consegui ler até o final. Ah! E no final da resenha tem sorteio de marcadores :) 
Espero que gostem!


O Pecado de Emerlly - Elissande Tenebrarh
Editora: Independente 
Páginas: 308
Ela passou boa parte da vida no convento.
Ele leva uma vida de luxuria.
Ela não conhece os prazeres da carne.
Ele terá todo o prazer de ensiná-la...
Qual o preço do pecado?
Logo que saiu do convento Emerlly imaginava como viveria com o tutor que o falecido pai deixara para que cuidasse dela por um ano. No entanto ela nunca imaginou conhecer alguém como Lorenzo Ferrel, um homem forte, intenso e completamente apaixonado. Mas o pecado cobra seu preço e Emerlly se vê diante dos segredos mais obscuros do seu amado. Será ela capaz de resistir e perdoar?

Com a morte do pai, Emerlly, que havia sido forçada a entrar para um convento, tem que passar um ano com um tutor desconhecido, para só então poder receber sua herança. Já Lorenzo recebe a notícia que terá que cuidar por um ano da filha noviça de um falecido amigo e começa a pensar como será sua vida dali em diante com uma freira em sua casa - logo ele que não fazia questão de viver uma vida "santa". Ambos têm uma surpresa quando se conhecem, e o que parecia desagradável evolui para um ardente romance.

O livro então desenrola-se pela evolução da relação dos dois, adicionando aos poucos novos segredos que vão sendo descobertos durante a narrativa. É narrado em terceira pessoa (excetuando no final, onde há uma parte narrada pelos dois protagonistas) e foca principalmente em Emerlly e Lorenzo. 

A linguagem é simples, direta. A autora não se detêm muito à descrição, o que deixa algumas partes ainda mais fluídas e rápidas. Porém, talvez a sutil colocação da descrição tenha me feito muitas vezes me confundir com a época em que a história se passa, muitas vezes achando que é no passado (até aparecer algo como uma caminhonete, etc, para eu lembrar que seria na atualidade). 

Há personagens muito divertidos e que dão um gostinho de humor à obra. Há personagens que foram criados exatamente para estragar tudo (e realmente só aparece esse lado deles durante o livro). Há personagens que eu nem me lembro que existiram (valeu, falou). E há os protagonistas.

Uma coisa que me incomodou um pouco foi a rapidez como tudo aconteceu no início. Acho que antes de 60 páginas ambos os protagonistas já estavam perdidamente apaixonados. Ok, não estou dizendo que isso seja impossível de acontecer, mas, talvez, a autora pudesse desenrolar um pouco melhor isso, para prender o leitor ainda mais e poder trabalhar mais cuidadosamente na evolução das personagens. Outro ponto que eu acho que poderia ter sido aprimorado é no que a autora focou durante a obra, ela preferiu trabalhar mais a relação amorosa dos dois (mostrando os dias na fazenda, seus muitos momentos íntimos, etc), o que me fez concluir que o romance praticamente poderia ter terminado nas primeiras 100 páginas. 

Assim como no segundo livro publicado pela Ally (e primeiro que eu resenhei aqui no blog), há uma série de segredos que vão surgindo esporadicamente durante a leitura, que conseguem prender um pouco o leitor, mas talvez não façam o mesmo serviço que fizeram em "A Tentação do Lobo" (ainda mais porque, assim como neste, aparecem - em sua maioria - mais para o final da obra).

Mas a escrita da autora é uma delicia e, tirando uns errinhos que eu até compreendo pela forma como o livro foi publicado, achei que está ótimo para um romance de estreia. Além do mais, o amor dos dois é cativante e bastante fofo. Outra coisa que devo dizer, esse livro tem uma pegada muito mais erótica do que "A Tentação do Lobo" e autora consegue narrar bem essas cenas, então é indicado para quem gosta dessa temática. 



E olha que fofa, a autora mandou alguns marca-páginas para serem sorteados pelo blog! Serão seis ganhadores e eu irei enviar 3 marcadores do livro. Ah! Os três primeiros ainda ganharão um adesivo do fã-clube do Lorenzo ;) 


Para participar é bem simples: 

*Primeiro, precisa residir em território nacional
*Deve seguir as regras do sorteador
*Caso seja um dos ganhadores, responder ao e-mail dentro de 24h

Os marcadores serão enviados dentro de uma semana depois do sorteio. 


Agora é só cruzar os dedos e torcer para ganhar!

Espero que tenham gostado. Não deixem de participar do sorteio! Beijocas e nos vemos em breve.
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Resenha - O Menino do Pijama Listrado


Acho que desde sempre queria comprar esse livro para ler, mas nunca aconteceu. Até que uma pessoa bastante especial me presenteou com ele e eu pude finalmente lê-lo. E aqui está o que eu achei da história. Espero que gostem da resenha!




O menino do pijama listrado - John Boyne
Editora: Seguinte
Páginas: 192

Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz idéia que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga.
Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. O menino do pijama listrado é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável.


Bruno sai de Berlim por conta do trabalho do pai e vai morar junto com a família em uma casa nova. O lugar não é nenhum pouco parecido com o que ele estava acostumado: a casa não é tão grande quanto a sua em Berlim e nem tão boa de se explorar, não havia crianças com quem brincar nem seus velhos amigos, e não havia todo o resto com o que ele se acostumou desde sempre. 

Pensando estar isolado do mundo (mas não dos soldados, colegas de trabalho do pai), Bruno descobre do lado de fora de sua janela uma cerca e dezenas de pessoas do outro lado. Em suas aventuras e investigações, eventualmente ele se aproxima desse misterioso lugar e conhece Shmuel, tornando-se logo amigo do garoto do outro lado da cerca. 

Ambos os meninos são muito parecidos e por isso Bruno não consegue entender bem como é e era a vida de seu mais novo amigo. Por mais que os dois tenham sido obrigados a se mudarem para um lugar horrível, Bruno continua morando em uma casa que comporta toda sua família, enquanto Shmuel teve que dividir um quarto com inúmeras pessoas... 

A ingenuidade das duas crianças somada à narrativa simples e de cunho infantil faz com que o leitor sinta desde o início que a leitura não será algo fácil, principalmente para quem entende o que tudo aquilo significa e em que cada posição está cada criança. O livro é narrado em terceira pessoa, sob o ponto de vista de Bruno. As descrições são feita sob a ótica de uma criança também e como tudo o que existia no lugar novo significava para o protagonista.

Os personagens, tirando Bruno e Shmuel, são colocados apenas para se ter uma noção do que era a Alemanha nazista. Havia aqueles que serviam de todo coração; aqueles que serviam apenas por não poderem dizer que não concordavam; aqueles que pouco entendiam o que estava acontecendo, mas que repetiam o que os adultos proferiam como verdades; e havia Bruno, que não entendia nem ao menos o porquê de haver uma cerca com tantas pessoas do outro lado. 

A ingenuidade da criança, ao meu ver, está longe de ser caracterizada como "burrice" como li em certas resenhas. Por mais que ele tivesse nove anos e vivesse na Alemanha nazista, Bruno não estava tão a par da situação de seu país. Os adultos falavam como ele deveria se comportar na frente de oficiais e etc, mas não o que tudo aquilo realmente significava. Então, para Bruno, os judeus não passam de outras pessoas comuns que se parecem com ele. E acho que esse é um ponto importante na história, já que, se para uma criança os judeus não passam de pessoas iguais aos alemãs, por que de estarem separados e servindo os alemãs? 

É um livro infanto-juvenil, mas que com toda certeza toca mais os adultos do que os jovens. O final é doloroso, o que lhe faz pensar ainda mais no significado de toda a obra. 
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Resenha - A Tentação do Lobo [18+]


Finalmente vim resenhar um livro da Ally! Depois de muito tempo de lido e com as resenhas paradas no blog, aqui está minha crítica para o romance fantástico-erótico da autora Elissande Tenebrarh. Espero que goste da resenha e que se interessem pelo livro. 




A Tentação do Lobo - Elissande Tenebrarh
Editora: Amazon
Páginas: 383

A cidade de Harvest Moon apesar de pacífica sempre foi envolta em mistérios. A última coisa que Samantha pensava ao viajar até a pequena cidade para ajudar sua avó foi encontrar Henry Wolff, um homem que a salvou de um inesperado acidente . Henry jamais imaginaria encontrar a linda mulher de cabelos negros naquela estrada no meio da noite. Logo que seus dedos a tocaram algo primitivo rugiu dentro dele a ponto de desejar ter aquela mulher para si. Mas algo obscuro começa a assombrar a vida de Samantha e Henry terá que lutar não apenas pelas pessoas que ama, mas também pela companheira que seu Lobo escolheu. A Tentação do Lobo mostra os desejos mais primitivos de um homem e uma mulher e uma maldição que tanto pode uni-los quanto separá-los. Uma releitura moderna do Conto de Fadas A Chapeuzinho Vermelho, cheia de mistério, humor, romance e altas doses de erotismo. Seja bem vindo à Harvest Moon


Samantha volta à cidade de sua vó para visitá-la, já que descobre que ela está doente e precisa de cuidados. Chegando a Harvest Moon, um lobo no meio da pista faz com que ela bata o carro. Por sorte, é salva por Henry Wolff, o rico dono de um hotel na região. 

O livro é uma nova versão para o conto "A Chapeuzinho Vermelho", com uma pegada mais voltada para o romance entre Samantha e Henry, e um toque de fantasia que transformou o livro em, ao meu ver, algo a mais.

No começo, os personagens são semelhantes àqueles que encontramos em muitos outros livros de temática romântica (claro que com umas mudancinhas para se adaptar à história), porém, algo que me alegrou bastante foi ver o desenvolvimento deles no decorrer do livro, principalmente da protagonista feminina, Samantha.

Outra coisa que me surpreendeu foi a pegada de mistério já no final do livro. Por mais que a autora ainda possa trabalhar esse seu lado, ficou algo bastante interessante dentro de uma história que, provavelmente no início, você achava que já sabia tudo o que poderia acontecer. Os cortes dos capítulos ficaram no ponto, o que só aumentou o suspense para descobrir e entender os ocorridos que foram apresentados desde as primeiras páginas.

Narrado em terceira pessoa, com um foco mais seletivo, para que o leitor vá descobrindo tudo com os personagens. Descrições breves, que deixaram o livro ainda mais dinâmico. Ambiência bem construída e, para mim, até acolhedora (tirando em algumas partes que  a pequena cidade foi transformada em um cenário de filme de terror haha).

A escrita da autora é envolvente e me fez gostar da história desde quando comecei a ler, porém, tomou-me realmente quando adicionou o suspense e me fez ficar pensando nessa reviravolta (pena que não conseguiu me fazer errar quem era o culpado ;* haha). Eu não diria que é um livro voltado realmente para o erotismo, já que eu achei que isso ficou pra lá do segundo plano, sendo colocado apenas como uma pitadinha para dar um gosto a mais. 

Elissande está de parabéns e com certeza quero ler outras fantasias escritas pela autora (mesmo esse não sendo seu gênero favorito, gostei de ver como ela se saiu bem em seu primeiro romance fantástico).


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Mulher, a pior criatura de todas

Crescendo como uma pessoa do gênero feminino, passei minha vida inteira escutando muitas coisas que culminaram na afirmação do título. Mulher, a pior criatura de todas. Você pode estar se perguntando, de onde essa pessoa tirou isso? Como mulher pode ser a pior criatura de todas? Pois bem, junte-se a mim nessa viagem pelo senso comum e no final provavelmente irá ver.
  
Tudo começa na bíblia, o homem foi criado e, para não ficar sozinho no paraisão, logo Deus tirou uma costela e fez dela a fêmea para ele. Já começou com uma entrada triunfal a mulher: nasceu de um pedaço de osso aparentemente inútil (se fosse, sei lá, do crânio, do fêmur, da coluna vertebral… Nah, foi de um osso que as barbies humanas estão a todo momento tirando). Foi nomeada pelo querido Adão como Eva. Eva é seduzida pela serpente (que também representa uma figura feminina, que maravilha), e fez Adão provar do fruto proibido junto com ela e serem expulsos do paraíso.

Mas claro que a mente problemática dessa interessantíssima criatura chamada mulher não acabou ai. Pulando muito no tempo, para provas mais atuais (já que não quero ter que escrever um ensaio sobre isso), vemos que a mulher é uma criatura cheias de dualidades problemáticas.

Como assim?

Por exemplo, irei dizer sobre a mulher fraca e a mulher "forte".

A mulher fraca: precisa da proteção do homem, seja do pai, do irmão, do esposo (o que é provado biologicamente, claro, que a mulher é mais fraca e não sabe se defender sozinha); não sabe fazer suas próprias escolhas e não sabe o que quer da vida (“não” significa “sim”?).

A mulher “forte”: forte aqui está sendo empregado em diversos sentidos e pode até mesmo ser encontrado ou não na mulher fraca, pode ser sinônimo de vadia também, porque muita são vadias mesmo. É aquela mulher que gosta de dar muito, dá o tempo todo pra quem ela quiser dar. Ou aquela mulher que não sabe seu lugar e sempre fica questionando os homens e os valores claramente decididos na sociedade. É aquela mulher que cria seus filhos sozinha e nem faz ideia de onde está o marido/omi porque não soube segurá-lo. Etc. Em suma, as vadias da situação.

Pior ainda, a criatura chamada mulher criou algo chamada feminismo. Basicamente, feminismo significa: luta pela igualdade de gêneros. É muita loucura uma criatura que saiu de um osso aparentemente inútil querer igualdade de gênero, mas ok, elas podem querer o que quiserem desde que fiquem quietas no cantinho enquanto os homens cuidam da situação.

Só que esse feminismo fez com que as mulheres saíssem de seus lugares bem demarcados dentro da sociedade e buscassem coisas novas. Exemplo: a mulher não está mais em casa para fazer o papá do marido e das crianças, porque está na rua trabalhando ou rebolando até o chão. A mulher não quer mais que o carinha do transporte público passe a mão nela (ou passe outra coisa) – como sabemos, o homem está no direito dele, é de conhecimento universal que seus instintos animalescos não podem ser controlados e é função da mulher satisfazê-lo. Ou a mulher que não quer satisfazer os desejos do esposo – e ele, tadinho, tem que forçá-la a seguir seu papel de perfeita esposa (colocá-la em seu lugar).

E não só o feminismo que faz com que a criatura chamada mulher se sinta poderosa. Outras criaturas, como negros e o pessoal lgbtqia, começaram a achar que também possuem o direito de serem ouvidos. E mulheres dentro desses movimentos muitas vezes se incluem no feminismo também e ai que a coisa fica uma loucura.

Pulando da água para o achocolatado, quero colocar aqui algumas afirmações ou observações que vão fazer você concordar de vez que a mulher é a pior criatura. A lista é grande, então você não vai ficar sem exemplos. Ok? Vamos lá?
  • Mulher saiu de roupa curta na rua. Foi estuprada. A culpa é dela por estar em lugar inadequado, com a roupa inadequada e na hora inadequada. O homem, como é de conhecimento universal, estava apenas extravasando suas pulsões naturais.
  • Menina amadurece mais cedo, então ok namorar rapaz mais velho; então ok um rapaz mais velho tratar uma criança (tem certeza que é criança? Os jovens hoje em dia…) de forma sexual. Se a menina aceitar… iiiish, essa ai tava consentindo mesmo.
  • Mulher é espancada pelo esposo. Ela não queria mais ficar em um relacionamento que não a fizesse feliz. Ele apenas usou seu poder natural para mostrar que quem manda ali é ele.
  • Mulher não quer casar, prefere ficar sozinha ou sair sem compromisso ou não se envolver tanto: Puta.
  • Mulher falando sobre mulher de alguém que aquela esta afim: vadia, puta, piranha, rodada...
  • Mulher que gosta de sexo sem compromisso: vadia, puta...
  • Mulher não quer ter filhos, fica só no bem-bom: Puta.
  • Mulher em um cargo alto ou bom emprego: Dormiu com alguém para conseguir isso.
  • Mulher negra: nasceu para ser objeto sexual ou para ser empregada.
  • Mulher loira: burra
  • Mulher ruiva: será que lá embaixo também é ruivinho?
  • Mulher pobre com muitos filhos: só quer ajuda do governo.
  • Mulher rica: superficial.
  • Mulher que não passa maquiagem/ se "cuida" fisicamente: largada.
  • Mulher que se veste de maneira "sexy": está afim de alguém.
  • Mulher bonita/ “gostosa”: superficial/puta
  • Amante do marido de alguém: puta, vadia, sem vergonha… (tadinho do marido por ter sido seduzido por essa criatura).
  • Quando se trata de um gay: aff, quer ser mulherzinha. Pode ser gay, mas não pode ser afeminado.
  • Alguns gays falando: eca, vagina é nojento.
  • Sobre as trans: está querendo enganar os homens.
  • Se é lésbica: não tá faltando alguma coisa? Isso é porque nenhum homem pegou de jeito.
  • Mulher gorda: não cuida do corpo, não é saudável…
  • Mulher (muito?) magra: neurótica, não é saudável…
  • Mulher passando na rua: Gostosa, delicia, ô lá em casa. (E a mulher não pode responder porque o papel do homem é cantar o pedaço de carne ;))
  • Mulher traída: não conseguiu segurar o esposo.
  • Mulher traiu: vadia, já tinha um em casa, por que foi atrás de mais?
  • Mulher velha com homem novo: Onde já se viu isso, essa velhota gostar dos novinhos?...
  • Mulher nova com homem velho: essa ai tá atrás da fortuna.
  • Mulher bebeu em festa/casa de amigo/com homens: essa pediu.
  • Mulher não sai de casa/não gosta de festas/não quer namorar/não quer sexo: santinha, chata, sem graça.
  • Mulher no mundo pop se for bonita: não precisa fazer a coisa bem, todo mundo só vai tá olhando pra outras coisas mesmo (e vai virar chacota por não fazer a coisa bem também, mas pelo menos vai ser famosa :3).
  • Se for feia: ai tem que ser muito boa para emplacar, ou muito ruim para virar chacota (bem, vai virar chacota de qualquer jeito).
  • Mulher importante que não segue padrão de beleza (ou praticamente qualquer outra dessas criaturas): será que transa? Deixou de pintar o cabelo, tá ficando desleixada; Engordou, ixi, assim não dá.
  • Mulher que se maquia/faz plástica para parecer mais nova: o que é isso? Tem que deixar a idade chegar… Não adianta ser quem não é. Tudo tem sua hora.
  • Mulher que deixa a idade “aparecer”: que horror, nem cuida da aparência.
  • Mulher quer abortar: assassina.
  • Mulher não tem condições, mas mesmo assim tem o filho: como vai criar ele? Se fechasse as pernas...
  • Mulher que doa/abandona o filho por não ter condições: que tipo de mãe é você? Que pessoa horrível. Na hora do sexo não pensa nisso...
  • Xingamento comum: filh@ da puta. 

Isso são apenas algumas coisas que sabemos sobre mulheres. Resumo da ópera: mulheres existem para serem objetos dos homens e não adianta reclamar ;)


Agora minha resposta para o título: Mulher, a pior criatura de todas por passar por tanta coisa e ainda continuar foda. Quem sobrevive a isso, né machos?

Deixando a ironia de lado, venho com esse texto mostrar minha cada vez mais crescente indignação sobre o mundo que vivemos. Sei bem que muitas pessoas estão evoluindo, mas ainda temos um longo e pedregoso caminho pela frente.

Depois de ler, espero que tenha percebido o porque da ironia (queria mostrar sob o ponto de vista de alguém que aceita tudo isso), além de ter visto e entendido pelo que a mulher passa todo dia. Claro que existem incontáveis coisas que eu nunca iria conseguir colocar aqui por inteiro. Claro que existem incontáveis minorias que eu poderia ter abordado aqui também. Mas preferi ficar nesses pontos e com esse grupo específico. 

O texto é simbólico para uma indignação gritante. E faço um apelo aqui no final: Mulheres (homens também, mas acho que principalmente as mulheres, já que uma GRANDE parte delas se identifica e reproduz o machismo) não aceitem serem submissas. Não repitam o que passou de boca em boca sem pensar. Não passem para seus filhos, conhecidos ou qualquer pessoa um discurso que transforma vocês mulheres em objetos ou criaturas reprimidas.

E para quem acha que eu nasci pra servir omi ou uma sociedade que reproduz discurso machista:


Só isso que queria falar mesmo. Beijos e um cheiro! Nos vemos em breve.
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Algo sobre a morte


Entra as sublimes árvores,
Os raios se tornam mosaicos
Sobre folhas caídas e relva verde
Tudo exala vida e ternura
E o toque frio de seus dedos
[Nos meus]
Esvanecendo a pitura
Já que nada mais importa
[Só] o frio de seus dedos
[Só] o nosso caminhar



De encontro ao fim

...fim...
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Nevoeiro


Você está aí?
Não me deixe sozinha 
No silêncio
De expectativas gritantes

Estou me mantendo erguida
Sinto as pernas fracas
Sinto a cabeça cansada 
E as lágrimas escorrendo

Onde você está?
Eu só vejo a escuridão
De todas as portas fechadas
Pelo meu próprio pessimismo

E minha boca teimando
Em dizer que conseguirei
Enquanto meu ser ri
Acreditando em mais nada

Você está aí?
Não me esqueça... Só me resta você
Já que nesse nevoeiro
Nem mais consigo me ver
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O Jogo

Sentei-me à mesa. Uma atordoante luz estava acesa e virada diretamente para mim. Só ela iluminava porcamente o ambiente. A profunda escuridão da noite tomava o restante do lugar.

Eu não conseguia ver a pessoa que estava na minha frente, mas ouvia sua calma respiração. Ela estava lá, sem dúvida me encarando com seus olhos assustadores.

– Você sabe o porquê de estar aqui? – A voz soou alta, clara, doce como uma embaladora canção de ninar. Costumava sempre falar assim, tragando-me cada vez mais para o tabuleiro de seu jogo. Eu ri, como também costumava fazer, provavelmente pensando que, daquela vez, teria alguma chance contra ela. Não tinha e, tanto eu quanto ela, sabíamos disso.

– Teve algum dia que eu soubesse? Só estou aqui. – Respondi, a voz treinando oscilar, mas eu me mantendo focada em não perder a batalha daquela vez. Pelo menos daquela vez eu ganharia. Meus olhos se pregaram na escuridão, onde eu sabia que ela estava.

– Acha que desta vez vai conseguir se livrar de mim?

– Eu nunca consigo me livrar de você. Você sempre está ai me espreitando. Sempre vai aparecer quando julgar oportuno. Seria só uma questão de horas.

– Ou será que é quando você julgar ser oportuno?

– Em que universo eu iria querer encontrar você?

– Você sempre quer. Encontra em mim o que não vê em outro lugar. Eu sou sua desesperada fuga. Seu martírio mais doce.

– Eu te odeio. – As palavras saíram cheias de sofrimento, mas nem mesmo eu senti que falava a verdade. Ela tinha, nem mesmo que um pingo, razão.

A outra pessoa gargalhou. Escutei os pés da cadeira se afastando e passos lentos sobre o assoalho tomado pelas sombras. Não parei de encarar o invisível ponto a minha frente. Senti mãos mornas prendendo meus pulsos nos braços da cadeira. As pontas de seus dedos passearam pelo dorso de minhas mãos, massageando-as com uma inquietante delicadeza. De súbito, os dedos me largaram e foram puxar minha cadeira para trás, deixando espaço suficiente entre a mesa e eu, para que a pessoa pudesse passear livremente ali.

Que o jogo começasse.

– Recebeu seu boletim? – A pessoa perguntou na maior naturalidade, como se ela tivesse o direito de se envolver. Fiquei em silêncio, o que foi entendido como a resposta. As mãos agarraram meu pescoço, apertando-o com força por incontáveis segundos.

Enforcaram-me até quase o ponto de eu desfalecer. Então, os dedos me deixaram e eu senti uma estimulante e almejada lufada de ar entrando queimando pela minha laringe. Os pulmões inflaram em todo seu volume e eu arquejei.

– Você mostrou para os seus pais e eles ficaram chateados? – Escutei-a mexendo em algo perto. Os sons metálicos faziam meus pelos se arrepiarem. – Brigaram com você? Te bateram? Disseram que era uma péssima filha e que não se importava com seus pais?

– Cala a boca!

– Está estressadinha? Eu adoro seu comportamento arredio. Só me faz ter mais vontade de continuar. Você sabe que não tem mais volta quando você está aqui.

Ela tinha razão. Eu estava amarrada a uma cadeira, desesperada por algo que era previsível. Eu teria que aguentar até o fim. Só sairia dali quando acabasse.

A pessoa ergueu a manga da minha camisa, deixando à mostra a série de marcas deixadas por nossos anteriores encontros. Eu escondia-as para que ninguém suspeitasse do que acontecia ali, mas era inútil fingir para mim mesma que tudo aquilo era apenas uma sádica fantasia. Não era. Nunca seria.

A brilhante ponta de um estilete beijou a epiderme. Em um lento movimentou, sulcou o braço, deixando uma nova marca e fazendo brotar um fiapo de sangue. Suprimi um agonizante gemido de dor, mordendo o lábio inferior com força, mas não consegui ser tão forte para impedir a primeira lágrima de descer. A ponta da lâmina mergulhava na carne, lentamente, como se para que eu sentisse cada milímetro de dor plenamente.

– Você sabe – A pessoa começou a cantar no ritmo de uma canção infantil. – Que no fundo. Eles sempre têm razão. Você nasceu. Nem devia. E só quer chamar atenção. Menina burra. Menina burra. Nem aqui devia estar. Seus amigos. Esquecem-te . Quando você vai pular? Pular. Pular. Ploft. Lá se foi. Lá se foi. Seu próprio amor.

Enquanto cantarolava, passeava a lâmina pelo braço. Dançando hipnotizante no ritmo de sua doente melodia. O sangue agora jorrava sem timidez, como minhas lágrimas. Minha boca foi tampada pela mão livre da pessoa, porque ela sabia que eu gritaria mais cedo ou mais tarde.

Meu pranto escorria como ferro quente pelas minhas bochechas.

– Esquecem-te. Ploft. Ploft. Não tem para quem olhar. – A voz zombava. – Eles sempre fazem isso. Ploft. Ploft. Não tem quem te amar.

Cortou-me novamente. Então, afastou-se, deixando-me sozinha para curtir a dor.

A pessoa saiu por algum tempo. Deixei o pranto fluir. Abaixei a cabeça e encarei o vivo sangue. Não sei quanto tempo passou. Não sei quanto tempo fiquei encarando o líquido fugir de mim. Mas ela voltou. Estapeou dolorosamente minha face esquerda, conferindo se eu estava acordada. Arfei em resposta. Ela carregava algo na mão fechada. Pequenos cristais escorriam pelos cantos de seus delicados dedos. Sal. Derramou um pouco sobre o corte e eu gritei alto, recebendo um novo tapa de prêmio.

– Seu sofrimento é poesia para mim, mas sabe que eu não gosto quando grita.

– Você é horrível…

– Eu sou uma boa pessoa. Estou te ajudando a lidar com seus problemas.

Ri com a piada, mesmo que a dor quisesse que eu me debulhasse em lágrimas.

– Vamos para o segundo round.

Ela rapidamente desabotoou minha camisa da escola, despindo-me. Passou o que sobrou do sal sobre toda a extensão da pele macilenta. Deixou-me novamente por alguns segundos, apenas o tempo que levou para pegar uma caixa de plástico branco que eu não havia notado até então. Assim que percebi o que era, puxei, em vão, o corpo para o lado. Desespero só fazia com que a pessoa fosse tentada a continuar mais e mais. Eu sabia, mas nunca aprendia.

Ela pegou uma pedra de gelo e a passou pela pele despida. Eu gemi de dor e agonia. Meu corpo queimava na mesma intensidade que tentava se livrar das cordas que me prendiam à cadeira.

– Isso é bom, não é? – Indagou enquanto fingia massagear minha barriga com a pedra de gelo. – Dói tanto quanto a merdinha da sua vida?

– Pa… Para… – Não conseguia pronunciar direito a palavra. Nem mais sabia se estava pedindo para parar com a tortura física ou verbal.

Meu corpo se debatia sob o fato de que eu estava indefesa. Não tinha como eu sair dali. Ele sabia que nada podia fazer para nos salvar.

A pessoa retirou a pedra de gelo de mim apenas quando eu não sentia mais minha pele.

– Eu sou a única pessoa que você tem. Sou a única pessoa em quem pode confiar. – Proferiu alto. Era verdade, sabíamos que era. Ela me segurou pelo queixo, eu fechei os olhos para não ter que encará-la. Acertou-me inúmeros tapas no rosto, enquanto eu me engasgava com os soluços.

Meu rosto devia estar sangrando. Eu já não me importava ou me preocupava com a dor. Soltou-me. Deixei minha cabeça cair de cansaço. Ela ainda formulou algumas frases de ódio, mas logo se retirou, deixando-me novamente sozinha.

Fiquei em silêncio, escutando meu choro, meu arfar afetado, o sangue que corria de meu braço… Tudo parecia gritar meu desespero e humilhação. Fechei os olhos com mais força, até minhas órbitas doerem.

Quando voltei a abri-las, fui contemplada por um par se olhos fundos. Eles me examinavam do mesmo modo que eu tragava os detalhes de sua completa forma (des)humana. Pele arroxeada. Lábios inchados por mordidas.

E o sangue que emanava de meu braço misturava-se com as lágrimas, descendo pelo ralo da pia.
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