Resenha - Eu, Christiane F., Treze Anos, Drogada, Prostituída...

Eu, Christiane F., Treze Anos, Drogada, Prostituída... - Kei Hermann & Horst Rieck
Editora: Best Seller
Páginas: 320


Best seller ganha edição de bolso com texto integral. Os depoimentos foram colhidos no final dos anos 1970 pelos jornalistas Kai Hermann e Horst Rieck, que faziam uma reportagem sobre os jovens da Alemanha quando conheceram Christiane F., que testemunhava no julgamento de um traficante. Após meses de entrevistas, os dois escreveram este livro sobre juventude, drogas e prostituição.

O livro é uma não-ficção construída a partir de relatos de Christiane e pessoas que por alguma razão estavam ligadas à ela. Tudo começa quando Christiane se muda para Berlim, ela tenta de tudo se tornar popular, andar com os mais influentes e etc. E isso faz com que ela se afunde cada vez mais. 

No início ela começa provando drogas mais leves, como cigarro, estimulantes e calmantes... Depois, como vai conhecendo novas pessoas e novos grupos, ela passa a usar drogas mais pesadas.

Christiane era uma criança influenciável, que apenas queria ser aceita e fazer amigos, porém, entrou em um mundo que achou ser sem saída. 

A principio, os relatos não são tão impactantes. Apenas uma adolescente se envolvendo com drogas e tentando viver com todos os problemas que a cerca. Porém, assim como Christiane, vamos adentrando o mundo das drogas e da prostituição, dando de cara com situações cada vez piores, a morte de conhecidos, o reconhecimento de que chegou ao fundo do poço...

Eu diria que esse livro é no mínimo agoniante. Nós começamos a torcer para a personagem para acabar logo com tudo aquilo e dar um fim ao seu sofrimento e ao da família, mas, quando achamos que ela finalmente irá deixar a droga, ela volta e volta e volta. Se já não soubesse o final (obviamente) diria que a qualquer página iria ler um depoimento da mãe da garota, ou sei lá, de qualquer outra pessoa, dizendo que ela foi mais um dos nomes que apareceu no jornal. 

O livro é intenso. Com momentos "felizes" e outros bastante tensos, que lhe fazem parar e pensar na vida de usuários. Vemos os dois lados, vemos que a droga propicia bons momentos, que a "viagem" pode ser boa e ruim. Mas será que compensa? Christiane achou que poderia parar a qualquer momento, que não estava viciada em heroína. Que poderia se picar mais uma vez e nada aconteceria, só teria aquela boa sensação novamente. Enquanto isso (eu pelo menos) ficamos sofrendo de frente para o livro. 

Por mais que tenha sido uma leitura impactante, gostei bastante. Ainda mais porque li afim de pesquisa e não deixou a desejar em nenhum aspecto. Acho que é um livro importante para adolescentes principalmente, e para pais. 


E você aí? Já leu? Se não me engano, tem um filme baseado na história de Christiane, ainda não tive oportunidade de ver, mas espero logo poder. Não deixe de comentar com sua opinião, - sobre o livro e a resenha. Espero lhe ver novamente ;) 
Beijos e até!
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Resenha - Os 13 Porquês

Os 13 Porquês - Jay Asher
Editora: Ática
Páginas: 256






Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra um misterioso pacote com várias fitas cassetes. Ele ouve as gravações e se dá conta de que foram feitas por uma colega de classe que cometeu suicídio duas semanas antes. Nas fitas, ela explica que 13 motivos a levaram à decisão de se matar. Clay é um deles. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

Imagina você chegar em casa e se deparar com uma caixa cheia de fitas cassetes. No início, Clay não compreendeu o que tudo aquilo significava até escutar a primeira fita. Em suas mãos, estavam os 13 motivos pelo suicídio de Hannah, uma colega de classe - por quem Clay estava apaixonado. 

Escutar fita por fita, entrega-se à narração de Hannah e sofrer junto com ela tudo o que a fez decidir retirar sua própria vida faz, é por isso que Clay deve passar antes de entregar a caixa ao próximo porquê. 

A história é narrado em primeira pessoa, variando entre Clay e Hannah. Vamos junto a ele, caminhando pela cidade, escutando a fita e tentando sentir o que a garota sentiu nos lugares listados por ela mesma. A narração de Hannah é entrecortada, já que Clay precisa fazer seus comentários ou pausar cada fita (acho que talvez por isso eu não tenha me envolvido tanto com a história de Hannah).

O livro passa uma mensagem importante. Muitas vezes nos preocupamos mais com os nosso umbigos, agindo de maneira impensada e que muitas vezes atinge outras pessoas. Os 13 Porquês nos alerta não apenas para o suicídio na adolescência, mas também como nós influenciamos a vida de outra pessoa (em qualquer idade). 

Acho que não gostei mais porque: Clay cortava demais (mesmo eu entendendo seus motivos e isso fazendo com que a história tivesse mais dinâmica); não me identifiquei tanto com a Hannah; acho que esperei muito desse livro e fiquei um pouco decepcionada no final. 

Porém, é uma história muito interessante, de leitura rápida e que faz pensar bastante ao seu fim. Um livro que deveria ser mais conhecido, principalmente entre adolescentes (quando todo mundo acha que o mundo é uma festa, mas está longe de ser uma). Mas com um ensinamento para toda a vida. 


Desculpem a demora para postar a resenha, eu estava um pouco desanimada com ~tudo~, mas me forcei a escrevê-la. Espero que tenham gostado. Já leram o livro? Têm vontade de ler? Não deixem de comentar e compartilhar :)
Beijocas e até mais!!!
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Sempre acaba me alcançando


Meus pés caminham rápidos pela vereda. Eles fogem do mundo às minhas costas. Ele está ali também. Eu consigo ouvir seus passos, as folhas secas partem-se sob seus imensos sapatos. Ele não tem pressa, normalmente sempre acaba me alcançando. Mas não daquela vez. Daquela vez eu seria mais rápida. Eu sinto sua respiração presa à minha nuca. Sinto o calor de seus lábios. Não! Não daquela vez. Venço a tentação de me virar e lhe ver. Acelero. Chegando em casa, esconderia-me lá dentro, ele não poderia fazer nada. A maçaneta da casinha de campo está a centímetros. Ergo a mão e me refugio lá dentro. Rodo a chave. Abaixo o capuz vermelho. Não tenho coragem nem de lhe ver pela janelinha. Ele não força a porta, eu sabia que não faria isso. Mas sei que ainda está lá. Sei que sussurra. Consigo ouvi-lo. E sussurra, incendiando meu corpo. Consigo ouvi-lo. E, como sempre, minha mão sobe novamente para a maçaneta. Rodo a chave. 

Todos dizem que ninguém consegue fugir dele. E ele... Sempre acaba me alcançando. 
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Resenha - As Vantagens de Ser Invisível

As Vantagens de Ser Invisível - Stephen Chbosky
Editora: Rocco
Páginas: 224





Ao mesmo tempo engraçado e atordoante, o livro reúne as cartas de Charlie, um adolescente de quem pouco se sabe - a não ser pelo que ele conta ao amigo nessas correspondências -, que vive entre a apatia e o entusiasmo, tacteando territórios inexplorados, encurralado entre o desejo de viver a própria vida e ao mesmo tempo fugir dela. As dificuldades do ambiente escolar, muitas vezes ameaçador, as descobertas dos primeiros encontros amorosos, os dramas familiares, as festas alucinantes e a eterna vontade de se sentir "infinito" ao lado dos amigos são temas que enchem de alegria e angústia a cabeça do protagonista em fase de amadurecimento. Stephen Chbosky capta com emoção esse vaivém dos sentidos e dos sentimentos e constrói uma narrativa vigorosa costurada pelas cartas de Charlie endereçadas a um amigo que não se sabe se real ou imaginário. Íntimas, hilariantes, às vezes devastadoras, as cartas mostram um jovem em confronto com a sua própria história presente e futura, ora como um personagem invisível à espreita por trás das cortinas, ora como o protagonista que tem que assumir seu papel no palco da vida. Um jovem que não se sabe quem é ou onde mora. Mas que poderia ser qualquer um, em qualquer lugar do mundo.

As Vantagens de ser Invisível é um romance epistolar, tudo o que sabemos foi escrito por Charlie - um jovem de 15 anos - para um remetente sem nome. Pela narração leve e envolvente de Charlie, somos introduzidos ao seu mundo. Escola, família, amigos, drogas, sexo... Uma época de descoberta tanto para o protagonista quanto para qualquer adolescente. 

Desde o início percebemos que o autor das cartas não é tão igual aos outros adolescentes assim. Charlie é um garoto.. Digamos, ingênuo? Ele não vê maldade nas coisas como as outras pessoas e sua narração possui um ar infantil que apenas ajuda na construção do personagem. Muitos momentos trágicos em sua vida - que vamos descobrindo no decorrer das cartas - fizeram com que o personagem se transforma-se no que era, mas isso tudo só descobrimos quanto mais lemos. 

Charlie quer se enturmar, arrumar seu lugar no mundo, "participar". Depois do suicídio do amigo, ele se vê sozinho, encontrando novamente conforto perto de Sam e Patrick. Como o protagonista é bastante ingênuo e sempre quer que as pessoas ao seu lado estejam bem, ele tende a fazer o que os outros esperam que ele faça.

A princípio, senti que as atitudes do garoto, assim como sua linguagem não condiziam muito com sua idade. Porém, isso foi me agradando cada vez mais. Como eu disse, isso apenas ajudou a criar a imagem do personagem e mostrar que nem todo mundo é igual e nós não sabemos como cada pessoa pensa sobre o mundo que a envolve. 

Como Charlie apenas observar sua própria vida, os outros personagens se tornam de suma importância. São eles que "moldam" o comportamento do garoto, mesmo que muitas vezes sejam contrários a isso. 

O final do livro foi um baque (talvez nem tanto para quem tenha assistido ao filme). Mesmo que seja uma memória surgida "do nada",  isso não me afetou tanto, já que para todos da história também era uma surpresa (até mesmo para Charlie, que não se lembrava do ocorrido). Não acho que tudo tenha se resumido a esse fato do passado, mas com certeza ele foi bastante importante na vida do personagem.

Um livro que trata de temas sérios, com uma língua simples e bastante fluída, mas que consegue lhe tocas imensamente. Simplesmente amei o livro (por mais que eu goste de muitos livros, poucos chegam ao estado do "amor" e esse foi um deles).  

Super indicado a todo mundo. Espero que ele lhe toque da mesma forma que me tocou.


Então, meus amores, o que acharam? Já leram o livro? Pretendem ler? Gostaram da resenha? 
Não deixem de comentar a opinião de vocês :3 
Beijocas e até!

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Prólogo - JAT 1


Olá, pessoal! Como estão? 
Que tal conferir como está andando JAT? Aqui está o prologo para vocês já irem se familiarizando com meus amorezinhos ;) hehe
A capa ainda é um rascunho (pra uso não comercial e essas coisas todas). Espero que gostem!


A cidade um dia foi linda com as suas imensas casas de telhados coloridos preparadas para o inverno intenso. A época costumava ser feliz, com as festas que vinham com a estação mais fria do ano, mas nada alegraria aquela parte do reino, pelo menos não tão cedo. Os últimos dias foram uma imensa confusão e agora o lugar estava tomado pelas brasas dos últimos incêndios e os muros derrubados. 

Havia nevado mais cedo, mas o que restou dos flocos foram largas poças de água. Estava muito quente para ser inverno, as casas ainda emanavam aquele calor assustador que os moradores ali desejavam não ter conhecido. 

– Ninguém esperava um ataque assim. – Falou a única figura que se aventurava pelas ruas. O toque de recolher havia soado há pelo menos uma hora, e todas as outras pessoas já haviam se retirado para os abrigos, mas ela quis estar ali mesmo sabendo que não deveria. Era uma moça alta, de cabelo negro preso em uma farta e trabalhada trança e olhos azuis que brilhavam intensamente mesmo na semiobscuridade noturna. Trazia algo em seus braços: um amontoado de tecido que se movia de vez em quando. – Por sorte você está bem.

Caminhava rápido, como se tivesse medo de ser seguida – e bem que naquela situação aquilo era perfeitamente possível. Entrou por uma porta escondida entre duas casas e saiu em um pequeno pátio. As construções que envolviam o ambiente permaneciam de pé, fazendo daquele lugar um bom esconderijo. A mulher não parou até chegar à outra ponta e alcançar uma nova porta.

Daquela vez, ela hesitou. Sua mão já estava na maçaneta, mas ela não a girou. Essa é a coisa certa a se fazer? Desceu os olhos úmidos para o que carregava. É por pouco tempo, não é mesmo? Depois as coisas devem melhorar. Respirou fundo e passou pela passagem.

O outro lado não era o interior de uma casa como esperado. A porta dava para uma cidade. A noite daquele lado cheirava a torta de maçã e fim de dia frio. As ruas estavam tomadas por carros, mas não havia ninguém por perto que pudesse ser notado, porém ainda não era hora de dormir, já que as luzes brilhavam nas janelas das casas.

Ela repetiu o endereço mentalmente e estudou demoradamente o número das residências a sua frente. Como previsto, o portal havia levado-a exatamente para onde queria. Cruzou a rua com passos rápidos e logo alcançou a soleira do número 20. Bateu à porta e esperou com certa ansiedade até ela ser aberta.

– Boa noite?… – Um senhor apareceu entre escondido atrás da madeira. As palavras saíram em um alemão rouco e cansado, mas seus olhos esverdeados brilharam de excitação assim que entenderam o que estava acontecendo. – Majestade…

– Boa noite, Arnold. – Ela sorriu de lado, um sorriso tênue, não condizente com o estado de espírito da rainha.

– Entre, a senhora deve estar cansada. Vou pedir para prepararem algo para bebermos. – Arnold deu espaço e ela entrou se esgueirando pela parede do corredor. A casa estava muito clara e ela teve que se acostumar com tanta luz antes de finalmente dar mais algum passo. – Freya! Arrume alguma coisa para nossa convidada comer e beber. – Uma mulher ruiva, de pouco mais de vinte anos, colocou a cabeça para fora de uma porta no final do corredor e sorriu. Estava quase voltando para dentro quando ele a chamou novamente: – Verifique se as crianças já estão dormindo e leve a comida para o quartinho que eu tinha arrumado… Por favor.

A ruiva concordou alegremente, mesmo seu semblante também estando de cansaço.

– Não precisam se incomodar. – A visitante sussurrou. Suas bochechas coraram e suas sobrancelhas fizeram uma curva descontente e envergonhada. – Eu já estou de saída.

– Mas é claro que não. Vossa Majestade viajou até aqui, e eu não deixarei que parta sem ter descansado e se alimentado. – Arnold a guiou escada a cima. – Além do mais, a senhora tem que ver onde essa criaturinha linda irá morar. – Arnold desceu os olhos para o amontoado nos braços da rainha. A bebezinha agora dormia calmamente, como se não tivesse acabado de atravessar um portal entre mundos.

Subiram até o primeiro andar e ele a levou até um corredor sem porta. Arnold puxou uma cordinha no teto e desceu a escada que levava para o sótão. 

– Aqui é bem fresco e amplo. – Comentou assim que subiram. – Claro que não tem ares de quarto real, mas eu me esforcei para que a princesa goste.

A rainha examinou o lugar. Estava tudo impecável, com móveis recém-comprados em tons de azul, bege e branco; e quadros coloridos na parede. Era um quarto perfeito para a princesinha, e a mãe gostou desde o primeiro momento.

– Não precisava ter se incomodado.

– Tudo do melhor para minha princesa e filha de uma grande amiga.

– Mas você parece tão ocupado aqui, tomando conta do orfanato e de tantas crianças para ainda se preocupar tanto com…

– Jullie, nem ouse pensar nisso. Eu estou mais do que feliz de poder cuidar de sua filha. Claro que eu não desejaria que fosse nessas circunstâncias, mas já que foi assim, eu fico ainda mais feliz por você ter confiado em mim.

– Sempre confiei. – Jullie se aproximou devagar do berço azulado e deitou a criança carinhosamente. Uma lágrima tímida desceu pela bochecha, mas ela a secou rapidamente. 

Arnold fez um gesto para que a rainha se sentasse na poltrona perto da janela. Jullie se moveu hesitante até lá, como se se recusasse a se afastar da filha, mas querendo romper o mais rápido possível aquela ligação entre as duas. 

A porta foi aberta e Freya entrou com uma bandeja. Ela a colocou sobre a mesinha baixa entre os dois e se retirou, não antes de examinar a rainha por longos segundos e manter o sorriso delicado do primeiro momento.

– Você seguiu em frente? – Jullie observou a ruiva saindo. Sua face não reprovava, mas também não aprovava. Estava vazia. Séria.

– Como eu conseguiria seguir em frente? – Ele rodou os olhos até a janela. Sua expressão também se esvaziou, mas a rainha sabia que aquilo era tristeza e saudade. – Tudo o que eu tinha ficou em casa. Freya é uma ótima companhia e as crianças daqui também. Mas o vazio nunca será preenchido.

– Eu sinto muito.

– Não sinta, eu mereci.

– Não mereceu. O erro das pessoas é acreditar na separação entre bem e mal. Nada é tão certo assim. As pessoas não são divididas perfeitamente dentro dessa dicotomia. Não é como se um erro definisse tudo… – Ela deitou os olhos também na janela do sótão. Dali dava para ter uma linda vista de Berlim noturna.

Arnold percebeu que as palavras da rainha não se referiam apenas a ele.

– Você acha que a princesa estará segura aqui? – Ele mudou rapidamente de assunto.

– Eu espero que sim. – Os olhos azulados da rainha não se distanciaram da vista da janela. – Eu darei meu máximo para protegê-la também, mas acho que não será preciso tanta guarda.

– Samy é um mago habilidoso. – Ele comentou. – Mas, pelo que conheço dele, não acho que mexeria com uma criança de dois anos. Não é do feitio dele.

– Ele não. – Suas pálpebras se cerraram por um instante. – Mas já não tenho certeza sobre as pessoas que o seguem. Você sabe bem como são.

– Mas eles não sabem onde a princesa está, e também não é tão fácil viajar entre mundos. Então é quase que certeza que não podem fazer mal a ela aqui.

– Sim. E eu espero que a estadia dela seja por pouco tempo. Tenho que arrumar as coisas em casa e tentar salvar minha filha das ameaças dele. Bem… A morte de Miguel deixou tudo mais confuso e… É tudo tão recente. – Novas lágrimas desceram pelo rosto descorado e juvenil da rainha. – Eu quero que tudo esteja arrumado antes de Haley voltar.

– Eu te entendo. – Ele sorriu. – Vou cuidar dela como uma filha até tudo ficar seguro.

– Obrigada, Arnold. Agradeço todos os dias por ter um amigo como você.

– Não agradeça. Eu que serei sempre grato pelo que fez pelo… – Ele não conseguiu impedir algumas lágrimas de surgiram em seus olhos. Mesmo não deitando-as, elas o impediram de concluir a frase. – Co-como ele está?

– Ele está bem, um pouco assustado com tudo o que aconteceu, mas bem. Eu queria poder ter trazido ele também, mas você sabe como ele é.

– Ele ainda não me perdoou, não é mesmo?

Os lábios da rainha se apertaram e o homem já sabia a resposta. “Mas é melhor assim, pelo menos ele não deve estar sofrendo como eu.” Arnold sussurrou, mais para si mesmo do que para a rainha.

Jullie pegou o prato com um pedaço de torta que Freya trouxera e tentou comer. Não deu mais do que duas garfadas e o deixou novamente de lado. Há dias não comia, mas ainda estava sem apetite. Não deveria ficar tanto tempo sem comer, ela sabia, ainda mais na situação em que se encontrava. Além do mais, precisava de força para tudo o que sabia que viria. Mas não conseguiu pegar o garfo novamente, e a torta em sua boca desceu com gosto amargo.

– Acho melhor eu ir. – Ela se ergueu vagarosamente. Arnold finalmente notou a barriga saliente da moça e compreendeu porque se movia com tanta cautela.

– Será que vai ser um príncipe dessa vez? – Ele sorriu de lado.

– É uma menina. – Ela afagou delicadamente a barriga.

– Pena que Miguel não teve como conhecê-la.

– Uma pena. – Uma sombra turva passou pelos olhos da mulher, mas se dissipou tão breve quanto surgiu. Ela caminhou de volta até o berço da princesa e retirou o colar que antes trazia pendendo entre os seios. Deitou o pingente de joaninha sobre a mãozinha delicada da bebê. – Mamãe te ama, Haley. Arnold vai cuidar bem de você, tá? – Então, virou-se novamente para o senhor. – Por favor, não deixe que ela perca o colar. Ela vai precisar dele.

– Sim, majestade.

– Muito obrigada. – Jullie abraçou com força o amigo. – Espero revê-lo em breve. E que da próxima vez, você volte comigo para casa.

– Também espero.

Jullie secou uma última lágrima e se aproximou da porta. Respirou fundo, murmurou algumas palavras em uma língua antiga e a abriu. Do outro lado estava a cidade em chamas. Olhou para trás e sorriu para Arnold que acenava carinhosamente e para a criança no berço. “Um dia…” Pensou antes de atravessar o portal.



Então,  que acharam? Animados? Não deixem de comentar a opinião de vocês :3 hehe bjks
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Caída no chão


Caída no chão.
Você sempre me encontra assim:
Caída no chão.
Seus olhos descem,
Queimando.
Envolvem-me como sempre.
E eu continuo lá,
Rolando para um lado,
Rolando para o outro.
“Quem é você?”
Eu indagava.
Choro. Choro. Choro.
“Não tenho nome.
Não tenho nome”
Não é sua voz,
É a minha.
Choro. Choro. Choro.
“Quem é você?”
Eu perguntava mais uma vez.
Choro. Choro. Choro.
“Não tenho nome.
Nunca tive nome.”
Eu mesma respondia
E minha voz se findava,
Vagarosamente,
Sufocada pelo silêncio

De seus olhos omissos.
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Resenha - Veneno

Veneno - Sarah Pinborough
Editora: Única
Páginas: 224




Veneno - Sexy, sarcástico e de prender a respiração!
Para os fãs de Once Upon a Time e Grimm, Veneno é a prova de que contos de fadas são para adultos!
Não existe “Felizes para sempre”!
Você já pensou que uma rainha má tem seus motivos para agir como tal? E que princesas podem ser extremamente mimadas? E que príncipes não são encantados e reinos distantes também têm problemas reais? Então este livro é para você! Em Veneno, a autora Sarah Pinborough reconta a história de Branca de Neve de maneira sarcástica, madura e sem rodeios. Todos os personagens que nos cativaram por anos estão lá, mas seriam eles tão tolos quanto aparentam? Acompanhe a história de Branca de Neve e seu embate com a Rainha, sua madrasta. Você vai entender por que nem todos são só bons ou maus e que talvez o que seria “um final feliz” pode se tornar o pior dos pesadelos!
Veneno é o primeiro livro da trilogia Encantadas, e já é um best-seller inglês. Sarah Pinborough coloca os contos de fadas de ponta-cabeça e narra histórias surpreendentes que a Disney jamais ousaria contar. Com um realismo cínico e cenas fortes, o leitor será levado a questionar, finalmente, quem são os mocinhos e quem são os vilões dos livros de fantasia!

Comecemos com a velha historinha da Branca de Neve e os sete anões. Uma princesa linda, uma madrasta linda, anões... Essas coisas que vocês devem estar carecas de saber. 

Branca é filha de um rei que sempre está em campanhas para proteger seu reino. Lillith, a nova rainha, é pouca coisa mais velha do que sua enteada, e detesta o fato de todos adorarem Branca de Neve e a falecida rainha. Como toda boa história, não pode faltar um passado trágico na vida das personagens, como o motivo que fez Lillith se casar com o rei e porque ela nunca aprendeu a ser uma boa pessoa. E, já que ela ficou no comando durantes os longos anos que o rei está fora, ela resolve colocar as garrinhas para fora. Como ninguém do reino a amava, eles teriam que aprender a temê-la e respeita-la.

A história é narrada em terceira pessoa, mudando várias vezes o foco narrativo (às vezes estamos com a Rainha, às vezes com a Branca, às vezes com outros personagens). O tempo é cronológico e muitas vezes somos agraciados com breves lembranças do passado das personagens, o que ajuda a construir suas personalidades. 

De resto, o início do livro é a mesma história da Branca de Neve, com alguns detalhes a mais. Além disso, a autora segue um pouco o princípio "Once upon a time" de misturar personagens de outras histórias, o que poderia ter ficado muito melhor do que foi, mas acho que - pelo menos nesse primeiro livro - não foi muito bem trabalhado e parece que alguns personagens estavam lá só por estar mesmo (mas eu posso mudar de ideia no decorrer da trilogia). 

Sinceramente, achei que o que lemos na sinopse não tem muito a ver com a história no primeiro momento. A rainha é a rainha má (mesmo a escritora tentando "justificar" as coisas, o que, para mim pelo menos, não justifica nada), a Branca de Neve é a bondosa garota de sempre (e eu não a achei mimada como ficou parecendo ao ler a sinopse). Mas com certeza não é uma versão infantil como as rescritas que nos contam desde pequenos.

Porém, mesmo não mudando muito nesse quesito, eu gostei bastante da história. Sou apaixonada por contos de fadas em todas as suas versões (sim, desde as mais fofinhas-cuti-cuti-*joga glitter por cima*, até as que não são nenhum pouco aconselhadas para crianças), então não poderia ter deixado de gostar dessa. Além do mais, o final foi surpreendente. Daqueles que você tem que parar um pouco para entender o que aconteceu. Acho que só ele valeu tudo.

Livro super indicado para os amantes da história da Branca ou os contos de fadas, mas não esperem realmente aquela mudança drástica, por mais que o final tenha sido chocante. 


Então é isso pessoal. Desculpem a demora para postar a resenha, mas espero que tenham gostado. Agora me contem: já leram o livro? Pretendem ler? O que acharam da resenha? Não deixem de comentar :)

Beijocas e até mais. 
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