Resenha - O Menino do Pijama Listrado


Acho que desde sempre queria comprar esse livro para ler, mas nunca aconteceu. Até que uma pessoa bastante especial me presenteou com ele e eu pude finalmente lê-lo. E aqui está o que eu achei da história. Espero que gostem da resenha!




O menino do pijama listrado - John Boyne
Editora: Seguinte
Páginas: 192

Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz idéia que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga.
Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. O menino do pijama listrado é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável.


Bruno sai de Berlim por conta do trabalho do pai e vai morar junto com a família em uma casa nova. O lugar não é nenhum pouco parecido com o que ele estava acostumado: a casa não é tão grande quanto a sua em Berlim e nem tão boa de se explorar, não havia crianças com quem brincar nem seus velhos amigos, e não havia todo o resto com o que ele se acostumou desde sempre. 

Pensando estar isolado do mundo (mas não dos soldados, colegas de trabalho do pai), Bruno descobre do lado de fora de sua janela uma cerca e dezenas de pessoas do outro lado. Em suas aventuras e investigações, eventualmente ele se aproxima desse misterioso lugar e conhece Shmuel, tornando-se logo amigo do garoto do outro lado da cerca. 

Ambos os meninos são muito parecidos e por isso Bruno não consegue entender bem como é e era a vida de seu mais novo amigo. Por mais que os dois tenham sido obrigados a se mudarem para um lugar horrível, Bruno continua morando em uma casa que comporta toda sua família, enquanto Shmuel teve que dividir um quarto com inúmeras pessoas... 

A ingenuidade das duas crianças somada à narrativa simples e de cunho infantil faz com que o leitor sinta desde o início que a leitura não será algo fácil, principalmente para quem entende o que tudo aquilo significa e em que cada posição está cada criança. O livro é narrado em terceira pessoa, sob o ponto de vista de Bruno. As descrições são feita sob a ótica de uma criança também e como tudo o que existia no lugar novo significava para o protagonista.

Os personagens, tirando Bruno e Shmuel, são colocados apenas para se ter uma noção do que era a Alemanha nazista. Havia aqueles que serviam de todo coração; aqueles que serviam apenas por não poderem dizer que não concordavam; aqueles que pouco entendiam o que estava acontecendo, mas que repetiam o que os adultos proferiam como verdades; e havia Bruno, que não entendia nem ao menos o porquê de haver uma cerca com tantas pessoas do outro lado. 

A ingenuidade da criança, ao meu ver, está longe de ser caracterizada como "burrice" como li em certas resenhas. Por mais que ele tivesse nove anos e vivesse na Alemanha nazista, Bruno não estava tão a par da situação de seu país. Os adultos falavam como ele deveria se comportar na frente de oficiais e etc, mas não o que tudo aquilo realmente significava. Então, para Bruno, os judeus não passam de outras pessoas comuns que se parecem com ele. E acho que esse é um ponto importante na história, já que, se para uma criança os judeus não passam de pessoas iguais aos alemãs, por que de estarem separados e servindo os alemãs? 

É um livro infanto-juvenil, mas que com toda certeza toca mais os adultos do que os jovens. O final é doloroso, o que lhe faz pensar ainda mais no significado de toda a obra. 

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