Sempre acaba me alcançando


Meus pés caminham rápidos pela vereda. Eles fogem do mundo às minhas costas. Ele está ali também. Eu consigo ouvir seus passos, as folhas secas partem-se sob seus imensos sapatos. Ele não tem pressa, normalmente sempre acaba me alcançando. Mas não daquela vez. Daquela vez eu seria mais rápida. Eu sinto sua respiração presa à minha nuca. Sinto o calor de seus lábios. Não! Não daquela vez. Venço a tentação de me virar e lhe ver. Acelero. Chegando em casa, esconderia-me lá dentro, ele não poderia fazer nada. A maçaneta da casinha de campo está a centímetros. Ergo a mão e me refugio lá dentro. Rodo a chave. Abaixo o capuz vermelho. Não tenho coragem nem de lhe ver pela janelinha. Ele não força a porta, eu sabia que não faria isso. Mas sei que ainda está lá. Sei que sussurra. Consigo ouvi-lo. E sussurra, incendiando meu corpo. Consigo ouvi-lo. E, como sempre, minha mão sobe novamente para a maçaneta. Rodo a chave. 

Todos dizem que ninguém consegue fugir dele. E ele... Sempre acaba me alcançando. 

0 comentários :

Postar um comentário

Muito obrigada por lerem. Espero que tenham gostado. Então, que tal deixar um comentário com a sua opinião? Acha que ficou alguma coisa confusa? Gostou ou não gostou? É só comentar que eu adorarei ler :)

Se ainda não segue o blog, lembre-se que é bem rapidinho seguir. É só clicar em participar na caixinha de docinhos ali no canto. Siga também nas redes sociais. Beijocas e até mais!