Mulher, a pior criatura de todas

Crescendo como uma pessoa do gênero feminino, passei minha vida inteira escutando muitas coisas que culminaram na afirmação do título. Mulher, a pior criatura de todas. Você pode estar se perguntando, de onde essa pessoa tirou isso? Como mulher pode ser a pior criatura de todas? Pois bem, junte-se a mim nessa viagem pelo senso comum e no final provavelmente irá ver.
  
Tudo começa na bíblia, o homem foi criado e, para não ficar sozinho no paraisão, logo Deus tirou uma costela e fez dela a fêmea para ele. Já começou com uma entrada triunfal a mulher: nasceu de um pedaço de osso aparentemente inútil (se fosse, sei lá, do crânio, do fêmur, da coluna vertebral… Nah, foi de um osso que as barbies humanas estão a todo momento tirando). Foi nomeada pelo querido Adão como Eva. Eva é seduzida pela serpente (que também representa uma figura feminina, que maravilha), e fez Adão provar do fruto proibido junto com ela e serem expulsos do paraíso.

Mas claro que a mente problemática dessa interessantíssima criatura chamada mulher não acabou ai. Pulando muito no tempo, para provas mais atuais (já que não quero ter que escrever um ensaio sobre isso), vemos que a mulher é uma criatura cheias de dualidades problemáticas.

Como assim?

Por exemplo, irei dizer sobre a mulher fraca e a mulher "forte".

A mulher fraca: precisa da proteção do homem, seja do pai, do irmão, do esposo (o que é provado biologicamente, claro, que a mulher é mais fraca e não sabe se defender sozinha); não sabe fazer suas próprias escolhas e não sabe o que quer da vida (“não” significa “sim”?).

A mulher “forte”: forte aqui está sendo empregado em diversos sentidos e pode até mesmo ser encontrado ou não na mulher fraca, pode ser sinônimo de vadia também, porque muita são vadias mesmo. É aquela mulher que gosta de dar muito, dá o tempo todo pra quem ela quiser dar. Ou aquela mulher que não sabe seu lugar e sempre fica questionando os homens e os valores claramente decididos na sociedade. É aquela mulher que cria seus filhos sozinha e nem faz ideia de onde está o marido/omi porque não soube segurá-lo. Etc. Em suma, as vadias da situação.

Pior ainda, a criatura chamada mulher criou algo chamada feminismo. Basicamente, feminismo significa: luta pela igualdade de gêneros. É muita loucura uma criatura que saiu de um osso aparentemente inútil querer igualdade de gênero, mas ok, elas podem querer o que quiserem desde que fiquem quietas no cantinho enquanto os homens cuidam da situação.

Só que esse feminismo fez com que as mulheres saíssem de seus lugares bem demarcados dentro da sociedade e buscassem coisas novas. Exemplo: a mulher não está mais em casa para fazer o papá do marido e das crianças, porque está na rua trabalhando ou rebolando até o chão. A mulher não quer mais que o carinha do transporte público passe a mão nela (ou passe outra coisa) – como sabemos, o homem está no direito dele, é de conhecimento universal que seus instintos animalescos não podem ser controlados e é função da mulher satisfazê-lo. Ou a mulher que não quer satisfazer os desejos do esposo – e ele, tadinho, tem que forçá-la a seguir seu papel de perfeita esposa (colocá-la em seu lugar).

E não só o feminismo que faz com que a criatura chamada mulher se sinta poderosa. Outras criaturas, como negros e o pessoal lgbtqia, começaram a achar que também possuem o direito de serem ouvidos. E mulheres dentro desses movimentos muitas vezes se incluem no feminismo também e ai que a coisa fica uma loucura.

Pulando da água para o achocolatado, quero colocar aqui algumas afirmações ou observações que vão fazer você concordar de vez que a mulher é a pior criatura. A lista é grande, então você não vai ficar sem exemplos. Ok? Vamos lá?
  • Mulher saiu de roupa curta na rua. Foi estuprada. A culpa é dela por estar em lugar inadequado, com a roupa inadequada e na hora inadequada. O homem, como é de conhecimento universal, estava apenas extravasando suas pulsões naturais.
  • Menina amadurece mais cedo, então ok namorar rapaz mais velho; então ok um rapaz mais velho tratar uma criança (tem certeza que é criança? Os jovens hoje em dia…) de forma sexual. Se a menina aceitar… iiiish, essa ai tava consentindo mesmo.
  • Mulher é espancada pelo esposo. Ela não queria mais ficar em um relacionamento que não a fizesse feliz. Ele apenas usou seu poder natural para mostrar que quem manda ali é ele.
  • Mulher não quer casar, prefere ficar sozinha ou sair sem compromisso ou não se envolver tanto: Puta.
  • Mulher falando sobre mulher de alguém que aquela esta afim: vadia, puta, piranha, rodada...
  • Mulher que gosta de sexo sem compromisso: vadia, puta...
  • Mulher não quer ter filhos, fica só no bem-bom: Puta.
  • Mulher em um cargo alto ou bom emprego: Dormiu com alguém para conseguir isso.
  • Mulher negra: nasceu para ser objeto sexual ou para ser empregada.
  • Mulher loira: burra
  • Mulher ruiva: será que lá embaixo também é ruivinho?
  • Mulher pobre com muitos filhos: só quer ajuda do governo.
  • Mulher rica: superficial.
  • Mulher que não passa maquiagem/ se "cuida" fisicamente: largada.
  • Mulher que se veste de maneira "sexy": está afim de alguém.
  • Mulher bonita/ “gostosa”: superficial/puta
  • Amante do marido de alguém: puta, vadia, sem vergonha… (tadinho do marido por ter sido seduzido por essa criatura).
  • Quando se trata de um gay: aff, quer ser mulherzinha. Pode ser gay, mas não pode ser afeminado.
  • Alguns gays falando: eca, vagina é nojento.
  • Sobre as trans: está querendo enganar os homens.
  • Se é lésbica: não tá faltando alguma coisa? Isso é porque nenhum homem pegou de jeito.
  • Mulher gorda: não cuida do corpo, não é saudável…
  • Mulher (muito?) magra: neurótica, não é saudável…
  • Mulher passando na rua: Gostosa, delicia, ô lá em casa. (E a mulher não pode responder porque o papel do homem é cantar o pedaço de carne ;))
  • Mulher traída: não conseguiu segurar o esposo.
  • Mulher traiu: vadia, já tinha um em casa, por que foi atrás de mais?
  • Mulher velha com homem novo: Onde já se viu isso, essa velhota gostar dos novinhos?...
  • Mulher nova com homem velho: essa ai tá atrás da fortuna.
  • Mulher bebeu em festa/casa de amigo/com homens: essa pediu.
  • Mulher não sai de casa/não gosta de festas/não quer namorar/não quer sexo: santinha, chata, sem graça.
  • Mulher no mundo pop se for bonita: não precisa fazer a coisa bem, todo mundo só vai tá olhando pra outras coisas mesmo (e vai virar chacota por não fazer a coisa bem também, mas pelo menos vai ser famosa :3).
  • Se for feia: ai tem que ser muito boa para emplacar, ou muito ruim para virar chacota (bem, vai virar chacota de qualquer jeito).
  • Mulher importante que não segue padrão de beleza (ou praticamente qualquer outra dessas criaturas): será que transa? Deixou de pintar o cabelo, tá ficando desleixada; Engordou, ixi, assim não dá.
  • Mulher que se maquia/faz plástica para parecer mais nova: o que é isso? Tem que deixar a idade chegar… Não adianta ser quem não é. Tudo tem sua hora.
  • Mulher que deixa a idade “aparecer”: que horror, nem cuida da aparência.
  • Mulher quer abortar: assassina.
  • Mulher não tem condições, mas mesmo assim tem o filho: como vai criar ele? Se fechasse as pernas...
  • Mulher que doa/abandona o filho por não ter condições: que tipo de mãe é você? Que pessoa horrível. Na hora do sexo não pensa nisso...
  • Xingamento comum: filh@ da puta. 

Isso são apenas algumas coisas que sabemos sobre mulheres. Resumo da ópera: mulheres existem para serem objetos dos homens e não adianta reclamar ;)


Agora minha resposta para o título: Mulher, a pior criatura de todas por passar por tanta coisa e ainda continuar foda. Quem sobrevive a isso, né machos?

Deixando a ironia de lado, venho com esse texto mostrar minha cada vez mais crescente indignação sobre o mundo que vivemos. Sei bem que muitas pessoas estão evoluindo, mas ainda temos um longo e pedregoso caminho pela frente.

Depois de ler, espero que tenha percebido o porque da ironia (queria mostrar sob o ponto de vista de alguém que aceita tudo isso), além de ter visto e entendido pelo que a mulher passa todo dia. Claro que existem incontáveis coisas que eu nunca iria conseguir colocar aqui por inteiro. Claro que existem incontáveis minorias que eu poderia ter abordado aqui também. Mas preferi ficar nesses pontos e com esse grupo específico. 

O texto é simbólico para uma indignação gritante. E faço um apelo aqui no final: Mulheres (homens também, mas acho que principalmente as mulheres, já que uma GRANDE parte delas se identifica e reproduz o machismo) não aceitem serem submissas. Não repitam o que passou de boca em boca sem pensar. Não passem para seus filhos, conhecidos ou qualquer pessoa um discurso que transforma vocês mulheres em objetos ou criaturas reprimidas.

E para quem acha que eu nasci pra servir omi ou uma sociedade que reproduz discurso machista:


Só isso que queria falar mesmo. Beijos e um cheiro! Nos vemos em breve.
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Algo sobre a morte


Entra as sublimes árvores,
Os raios se tornam mosaicos
Sobre folhas caídas e relva verde
Tudo exala vida e ternura
E o toque frio de seus dedos
[Nos meus]
Esvanecendo a pitura
Já que nada mais importa
[Só] o frio de seus dedos
[Só] o nosso caminhar



De encontro ao fim

...fim...
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Nevoeiro


Você está aí?
Não me deixe sozinha 
No silêncio
De expectativas gritantes

Estou me mantendo erguida
Sinto as pernas fracas
Sinto a cabeça cansada 
E as lágrimas escorrendo

Onde você está?
Eu só vejo a escuridão
De todas as portas fechadas
Pelo meu próprio pessimismo

E minha boca teimando
Em dizer que conseguirei
Enquanto meu ser ri
Acreditando em mais nada

Você está aí?
Não me esqueça... Só me resta você
Já que nesse nevoeiro
Nem mais consigo me ver
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O Jogo

Sentei-me à mesa. Uma atordoante luz estava acesa e virada diretamente para mim. Só ela iluminava porcamente o ambiente. A profunda escuridão da noite tomava o restante do lugar.

Eu não conseguia ver a pessoa que estava na minha frente, mas ouvia sua calma respiração. Ela estava lá, sem dúvida me encarando com seus olhos assustadores.

– Você sabe o porquê de estar aqui? – A voz soou alta, clara, doce como uma embaladora canção de ninar. Costumava sempre falar assim, tragando-me cada vez mais para o tabuleiro de seu jogo. Eu ri, como também costumava fazer, provavelmente pensando que, daquela vez, teria alguma chance contra ela. Não tinha e, tanto eu quanto ela, sabíamos disso.

– Teve algum dia que eu soubesse? Só estou aqui. – Respondi, a voz treinando oscilar, mas eu me mantendo focada em não perder a batalha daquela vez. Pelo menos daquela vez eu ganharia. Meus olhos se pregaram na escuridão, onde eu sabia que ela estava.

– Acha que desta vez vai conseguir se livrar de mim?

– Eu nunca consigo me livrar de você. Você sempre está ai me espreitando. Sempre vai aparecer quando julgar oportuno. Seria só uma questão de horas.

– Ou será que é quando você julgar ser oportuno?

– Em que universo eu iria querer encontrar você?

– Você sempre quer. Encontra em mim o que não vê em outro lugar. Eu sou sua desesperada fuga. Seu martírio mais doce.

– Eu te odeio. – As palavras saíram cheias de sofrimento, mas nem mesmo eu senti que falava a verdade. Ela tinha, nem mesmo que um pingo, razão.

A outra pessoa gargalhou. Escutei os pés da cadeira se afastando e passos lentos sobre o assoalho tomado pelas sombras. Não parei de encarar o invisível ponto a minha frente. Senti mãos mornas prendendo meus pulsos nos braços da cadeira. As pontas de seus dedos passearam pelo dorso de minhas mãos, massageando-as com uma inquietante delicadeza. De súbito, os dedos me largaram e foram puxar minha cadeira para trás, deixando espaço suficiente entre a mesa e eu, para que a pessoa pudesse passear livremente ali.

Que o jogo começasse.

– Recebeu seu boletim? – A pessoa perguntou na maior naturalidade, como se ela tivesse o direito de se envolver. Fiquei em silêncio, o que foi entendido como a resposta. As mãos agarraram meu pescoço, apertando-o com força por incontáveis segundos.

Enforcaram-me até quase o ponto de eu desfalecer. Então, os dedos me deixaram e eu senti uma estimulante e almejada lufada de ar entrando queimando pela minha laringe. Os pulmões inflaram em todo seu volume e eu arquejei.

– Você mostrou para os seus pais e eles ficaram chateados? – Escutei-a mexendo em algo perto. Os sons metálicos faziam meus pelos se arrepiarem. – Brigaram com você? Te bateram? Disseram que era uma péssima filha e que não se importava com seus pais?

– Cala a boca!

– Está estressadinha? Eu adoro seu comportamento arredio. Só me faz ter mais vontade de continuar. Você sabe que não tem mais volta quando você está aqui.

Ela tinha razão. Eu estava amarrada a uma cadeira, desesperada por algo que era previsível. Eu teria que aguentar até o fim. Só sairia dali quando acabasse.

A pessoa ergueu a manga da minha camisa, deixando à mostra a série de marcas deixadas por nossos anteriores encontros. Eu escondia-as para que ninguém suspeitasse do que acontecia ali, mas era inútil fingir para mim mesma que tudo aquilo era apenas uma sádica fantasia. Não era. Nunca seria.

A brilhante ponta de um estilete beijou a epiderme. Em um lento movimentou, sulcou o braço, deixando uma nova marca e fazendo brotar um fiapo de sangue. Suprimi um agonizante gemido de dor, mordendo o lábio inferior com força, mas não consegui ser tão forte para impedir a primeira lágrima de descer. A ponta da lâmina mergulhava na carne, lentamente, como se para que eu sentisse cada milímetro de dor plenamente.

– Você sabe – A pessoa começou a cantar no ritmo de uma canção infantil. – Que no fundo. Eles sempre têm razão. Você nasceu. Nem devia. E só quer chamar atenção. Menina burra. Menina burra. Nem aqui devia estar. Seus amigos. Esquecem-te . Quando você vai pular? Pular. Pular. Ploft. Lá se foi. Lá se foi. Seu próprio amor.

Enquanto cantarolava, passeava a lâmina pelo braço. Dançando hipnotizante no ritmo de sua doente melodia. O sangue agora jorrava sem timidez, como minhas lágrimas. Minha boca foi tampada pela mão livre da pessoa, porque ela sabia que eu gritaria mais cedo ou mais tarde.

Meu pranto escorria como ferro quente pelas minhas bochechas.

– Esquecem-te. Ploft. Ploft. Não tem para quem olhar. – A voz zombava. – Eles sempre fazem isso. Ploft. Ploft. Não tem quem te amar.

Cortou-me novamente. Então, afastou-se, deixando-me sozinha para curtir a dor.

A pessoa saiu por algum tempo. Deixei o pranto fluir. Abaixei a cabeça e encarei o vivo sangue. Não sei quanto tempo passou. Não sei quanto tempo fiquei encarando o líquido fugir de mim. Mas ela voltou. Estapeou dolorosamente minha face esquerda, conferindo se eu estava acordada. Arfei em resposta. Ela carregava algo na mão fechada. Pequenos cristais escorriam pelos cantos de seus delicados dedos. Sal. Derramou um pouco sobre o corte e eu gritei alto, recebendo um novo tapa de prêmio.

– Seu sofrimento é poesia para mim, mas sabe que eu não gosto quando grita.

– Você é horrível…

– Eu sou uma boa pessoa. Estou te ajudando a lidar com seus problemas.

Ri com a piada, mesmo que a dor quisesse que eu me debulhasse em lágrimas.

– Vamos para o segundo round.

Ela rapidamente desabotoou minha camisa da escola, despindo-me. Passou o que sobrou do sal sobre toda a extensão da pele macilenta. Deixou-me novamente por alguns segundos, apenas o tempo que levou para pegar uma caixa de plástico branco que eu não havia notado até então. Assim que percebi o que era, puxei, em vão, o corpo para o lado. Desespero só fazia com que a pessoa fosse tentada a continuar mais e mais. Eu sabia, mas nunca aprendia.

Ela pegou uma pedra de gelo e a passou pela pele despida. Eu gemi de dor e agonia. Meu corpo queimava na mesma intensidade que tentava se livrar das cordas que me prendiam à cadeira.

– Isso é bom, não é? – Indagou enquanto fingia massagear minha barriga com a pedra de gelo. – Dói tanto quanto a merdinha da sua vida?

– Pa… Para… – Não conseguia pronunciar direito a palavra. Nem mais sabia se estava pedindo para parar com a tortura física ou verbal.

Meu corpo se debatia sob o fato de que eu estava indefesa. Não tinha como eu sair dali. Ele sabia que nada podia fazer para nos salvar.

A pessoa retirou a pedra de gelo de mim apenas quando eu não sentia mais minha pele.

– Eu sou a única pessoa que você tem. Sou a única pessoa em quem pode confiar. – Proferiu alto. Era verdade, sabíamos que era. Ela me segurou pelo queixo, eu fechei os olhos para não ter que encará-la. Acertou-me inúmeros tapas no rosto, enquanto eu me engasgava com os soluços.

Meu rosto devia estar sangrando. Eu já não me importava ou me preocupava com a dor. Soltou-me. Deixei minha cabeça cair de cansaço. Ela ainda formulou algumas frases de ódio, mas logo se retirou, deixando-me novamente sozinha.

Fiquei em silêncio, escutando meu choro, meu arfar afetado, o sangue que corria de meu braço… Tudo parecia gritar meu desespero e humilhação. Fechei os olhos com mais força, até minhas órbitas doerem.

Quando voltei a abri-las, fui contemplada por um par se olhos fundos. Eles me examinavam do mesmo modo que eu tragava os detalhes de sua completa forma (des)humana. Pele arroxeada. Lábios inchados por mordidas.

E o sangue que emanava de meu braço misturava-se com as lágrimas, descendo pelo ralo da pia.
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Permaneceriam


Olhos baços

Dedos enlaçados
Sorrisos cansados

Aquele sentimento
Tão canhestro
Tão profundo
Tão puro

Nada o que prometer
Apenas a sublime certeza
De que tudo
Aconteceria
E eles?
Um ao lado do outro
Permaneceriam.
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Todo o amor que pudesse dar



O peito arfante
Traçando 
Delicadas curvas
Em pleno 
cálido - calmo
Ar

O peito arfante
Ansiando
Sob o doce ritmo
Todo o amor
Que pudesse dar.
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Resenha - O Diário dos Trinta Anos


Comprei O Diário dos Trinta Anos assim que cheguei de viagem. Estava tão animada para ler (pelos comentários super positivos) que mal esperei chegar a Brasília e já fui garantir o meu. E, assim que chegou, também não pude me demorar para ler. Os livros que estavam na fila? Bah, fui ler o Diário. Agora estou aqui para contar o que achei dessa obra da Joyce Xavier (a primeira que li da autora). Espero que gostem da resenha!




O Diário dos Trinta Anos - Joyce Xavier
Editora: Lampejos
Páginas: 116

Maria Luisa Fernandes, Malu, Maluí ou Maluca, formada em Ciências Contábeis e Psicologia, trabalha com a sua amiga de faculdade, Diana em seu próprio escritório contábil. Com a vida economicamente bem, porém depressivamente louca, Malu ganha de presente no dia seu aniversário de trinta anos, um diário – que o nomeia de Ginger - da debochada Carol Portinari, atual do seu ex, Marcelo.
Protagonista de inúmeros relacionamentos fracassados pela traição, ela sofreu uma depressão quando terminou com Rafael, um relacionamento intenso e forte e preferiu jogar fora todos os seus remédios e não ir mais para a terapia. Rendeu-se a embriaguez.
Com as suas noites de bebedeiras ao lado de seu amigo Brit, ela sempre é salva por Dona Dalva em seu escritório. Os dias de ressaca são normais nos dias de solidão ela ouve Spice Girls. Sempre com um jeito de menina e apaixonada por sexo, Malu não quer crescer – “É um paraíso ser criança. É um inferno ser adulto. – A mesma diz em um de seus dias melancólicos. Procura homens em redes sociais e aventura-se com Fernando, o motoboy da sua empresa e PH, o pipoqueiro do bairro, ambos relacionamentos de carência e tesão.
Nos dias de TPM, ela sempre se desgasta com a sua amiga Antunieta e no seu pior dia de porre reencontra seus amigos de longa data: Amanda, Rodrigo, Thiago e Arthur. Além de ir para uma rave e descrever todas as páginas deste diário com inúmeros palavrões. Sua essência é desbocada.
Neste diário, você encontrará uma mulher que faz piada da sua própria desgraçada. Você soltará gargalhadas com o jeito espontâneo e libertador de Malu, você perceberá o quanto pode perder tempo sofrendo por alguém, se ao seu redor pode ter alguém que realmente te ame.


Maria Luisa, aka Malu, ganhou de aniversário de 30 anos um diário, presente da atual namorada de um de seus ex. A princípio, ela achou que havia sido apenas uma brincadeira, mas, com o tempo, ela passa a se entregar às páginas de Ginger (o diário). Assim, vamos conhecendo os dias de Malu e todas suas loucuras e relacionamentos complicados.

Encontramos na personagem pontos comuns na vida de muitas garotas (pessoas), não apenas aquelas por volta dos trinta anos, mas todas que estão entrando na vida adulta ou já sofreram um pouco com essa fase. A linguagem é direta e fluída, característica de desabafos em um verdadeiro diário. Não só sentimos como se a personagem conversasse com a gente, mas, muitas vezes, somos a própria Malu.

Os personagens, de modo geral, são bastante divertidos, assim como a própria Malu que, praticamente com toda a certeza, irá lhe arrancar algumas gargalhadas. Ela erra e tenta aprender com seus erros - claro que muitas vezes volta à estaca zero, mas acredito que o livro tem muito sobre aprendizagens e amadurecimento. Por mais que as outras personagens tenham feito, talvez, pequenas participações no decorrer da história, notamos a importância que elas tem para a protagonista. Por quê? Por mais que estejamos lendo praticamente a alma de Malu, ela diz muito sobre o que sente em relação às outras pessoas, o que pensa sobre o comportamento dos outros, ou o que os outros a fazem pensar sobre o próprio comportamento. Então, ela não amadurece apenas entre suas ações e pensamentos, mas também entre as ações e palavras dos outros.

Sinceramente, eu não me identifiquei tanto com Maria Luisa quanto outras pessoas devem ter se identificado - mas claro que isso é algo pessoal, porém, me divertir o mesmo tanto, principalmente com a escrita divertida e cativante de Joyce Xavier. O Diário dos Trinta Anos é um livro que lhe prende, não porque tem uma trama que irá lhe fazer querer descobrir logo como tudo irá terminar, mas você estará tão entretido com a personagem e a escrita da Joyce que, quando perceber, já terá terminado o livro.

Acho que não tenho mais o que falar. O livro é ótimo para passar o tempo e você irá se sentir acolhido pelos personagens que encontramos nas páginas de Ginger. Acolhido até pela própria loucura de Malu. Livro super recomendado. 
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