Me Culpei


Passo a mão pelo travesseiro 
Abandonado
Ao meu lado na cama

Eu já me culpei por estar só
Bem ali
Em pleno quarto 
Já me culpei por sofrer em silêncio
Por alguém que não voltará
Já me culpei por chorar
Pelo passado
E esquecer o presente
Por não ter dado um jeito
De fazer tudo dar certo
De impedir você de partir

Passo a mão pelo travesseiro 
Sabendo que nada acalentaria
Meu coração
Dolorido
Solitário
Abandonado
Sabendo que seu cheiro ali
Era a última e única coisa
Que eu teria de você

Passo a mão pelo travesseiro
E adormeço 
Entregue a minha dor
Entregue a minhas lágrimas
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Resenha - Mau Começo


Li Mau Começo quando era mais nova. Fui atraída pelas ilustrações e o nome. Porém, é um livro que pouco me lembrava e quis poder reler e me entregar mais uma vez ao início das desventuras dos irmãos Baudelaire (também para poder ler o restante da série). E essa nova leitura foi se misturando ao que eu lembrava do filme e bem... Aqui está o que achei. Espero que gostem da resenha!



Mau Começo - Lemony Snicket 
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 152
★★★★

Mau Começo é o primeiro volume de uma série em que Lemony Snicket conta as desventuras dos irmãos Baudelaire. Violet, Klaus e Sunny são encantadores e inteligentes, mas ocupam o primeiro lugar na classificação das pessoas mais infelizes do mundo. De fato, a infelicidade segue os seus passos desde a primeira página, quando eles estão na praia e recebem uma trágica notícia. Esses ímãs que atraem desgraças terão de enfrentar, por exemplo, roupas que pinicam o corpo, um gosmento vilão dominado pela cobiça, um incêndio calamitoso e mingau frio no café da manhã. É por isso que, logo na quarta capa, Snicket avisa ao leitor: "Não há nada que o impeça de fechar o livro imediatamente e sair para uma outra leitura sobre coisas felizes, se é isso que você prefere".
Em 2005, Jim Carrey estrelou uma versão cinematográfica dos três primeiros livros da série, no papel de conde Olaf.



Era uma manhã nublada na praia quando os irmãos Baudelaire receberam a triste notícia que sua casa havia sido destruída em um incêndio e que seus pais morreram na ocasião. Eles são mandados para a casa do parente que mora mais próximo, o conde Olaf. Desde sua primeira aparição, podemos notar que conde Olaf é completamente o oposto do que as crianças desejariam como novo pai - e provavelmente como nós também. Ele abusa de seu poder como responsável, fazendo as crianças terem que passar por situações cruéis. Só depois de algumas páginas que entendemos a motivação de conde Olaf e temos certeza que queremos que os três irmãos Baudelaire se livrem logo dele. 

O livro é narrado em primeira pessoa, por um narrador que teve contato com a história dos irmãos Baudelaire e quer passá-la em diante. Muitas vezes ele se intromete na narração, seja para colocar juízo de valor, seja para dar exemplos de sua própria vida. Isso causa uma aproximação não apenas do leitor com a obra, mas do próprio narrador e dos protagonistas. 

A história demorou um pouco para me envolver, acho que principalmente porque é o primeiro livro e praticamente tudo estava sendo explicado, mas quando as situações começaram a me inquietar, entreguei-me de vez à história. A linguagem é bem direta e fácil, o que é esperado de um livro infantil. Algo que me incomodou foi a forma como o autor colocou constantemente o significado de algumas palavras, provavelmente eu teria gostado mais dessas partes se não soubesse os significados, mas em sua maioria achei cansativo (porém, achei interessante fazer isso, já que - como estamos tratando de uma história infantil - aumenta o vocabulário dos jovens leitores). 

Para mim, os personagens foram bem construídos (por mais que conhecemos muito apenas dos irmãos Baudelaire e pouco de todos os outros). Muitas vezes fiquei me perguntando como eles não conseguiam resolver tal situação já que eram muito inteligentes, mas então, lembrava-me da idade de cada um e - realmente - não tinha como as crianças saberem fazer tudo, não é mesmo?

O autor trabalhou na dose certa a ambientação, sem nos afogar em muitos detalhes, mas também nos situando bem em cada lugar. E achei bastante interessante como os lugares ajudaram a construir a personalidade dos personagens também, demonstrando de maneira às vezes não tão sutil com quem estávamos lidando (principalmente porque os protagonistas passam por muitas casas e ambientes e podemos notar tanto a maneira como os três reagem àquilo, quanto a personalidade dos donos dessas casas, etc). 

Senti que o enredo foi acelerando à cada página, não porque o autor mudou sua forma de escrita, mas porque o leitor fica instigado a descobrir logo como as crianças vão se safar das situações e se livrar do conde Olaf. O final me deixou curiosíssima para ler logo o restante da série (mesmo eu tendo assistido ao filme e sabendo mais ou menos o enredo dos próximos dois livros). 

Mau Começo é um livro que me agradou principalmente pela sua forma "obscura". Não é aquelas historinhas coloridas para crianças, mas não deixa de ser um livro infantil. Foi bastante interessante ver a união dos irmãos e suas ideias para sobreviverem às desventuras. Espero ler logo os próximos. 
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Personagens - Lábios de Rubi


Olá!!! Como estão? Bem, vou confessar: eu simplesmente esqueci de fazer essa lista de avatares para Lábios de Rubi. Eu fiz para A Governanta, fiz para Dolls e me esqueci de Lábios de Rubi. (Obrigada à Jennifer por pedir e me lembrar). Mas, como diz meu lema, antes tarde do que nunca, não é mesmo? Espero que goste da seleção e, se não concordar com algum, sinta-se à vontade para me mostrar como imagina o personagem, irei adorar saber :)



Anna Popplewell como Jennyfer/Minerva 


Ian Harding como Willian


Ben Barnes como Perci (rei)


Seychelle Gabriel como Stephanie


Odette Annable como Raven


Amanda Seyfried como Margot 


Paul Rudd como Ralph


(Eu não sei o nome dele, mas a foto é de uma coleção da Toubab Paris - se alguém souber o nome comenta ai que eu atualizo) como Roland


Ufa! Acho que foi todo mundo. Diga-me, o que achou? Gostou da seleção? 

Não conhece a história ainda? Você pode lê-la aqui:


Beijos e até!
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Resenha - Alma Vampira


Ah, Alma Vampira, o livro que tanto esperei depois do final de Doce Vampira e que, quando terminei de ler, nem sei se realmente estava preparada para ele. Mas não quero adiantar muita coisa antes de tentar explicar o misto de sentimentos que senti. Espero que gostem da resenha! (Obs: Talvez contenha um pouco de Spoiler para quem não leu o primeiro livro)


 Alma Vampira - Ju Lund
Editora: Avec Editora
Páginas: 200
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Duda enfrenta novos desafios, sem memórias vive uma rotina nova ao lado da família, dos semeadores e de um possível novo amor. Esther não suporta a realidade e, num ato extremo, transforma a vida de Duda para sempre deixando sua alma ainda mais perdida. Duda, confusa, perambula entre dois mundos até que se sente obrigada a tomar uma grande decisão para seu futuro. Por amor vale tudo e até onde podemos ir em seu nome?


Duda foi levada pelos semeadores (juro que me deu vontade de escrever dementadores aqui) e perdeu a memória. Tudo o que envolvia Esther ficou guardado em um canto escondido em sua mente e ela se sentiu segura naquela estranha nova realidade. Já Esther não aguenta ver sua amada confusa, agindo completamente diferente da Duda que conhecia. Ela sabia bem que havia algo errado e que deveria fazer o que era "melhor" para sua amada. Então, toma sua decisão e muda a vida de Eduarda para sempre.

O fim de Doce Vampira me deixou bastante curiosa para saber como Duda iria reagir a tudo e sobreviver. Nesse segundo livro as personagens se mostraram em faces diferentes, devo dizer que praticamente trocaram os papéis.

Não sei porque, talvez tenha sido só impressão minha, mas senti que a personagem Esther mudou totalmente de um livro para o outro. Como alguns capítulos nesse segundo livro são narrados por ela, temos como entrar em sua mente e entender seus verdadeiros sentimentos por Duda. Muito da personagem me assustou um pouco, não no sentido ruim, mas muitas vezes pensei em pedir para ela sentar e pensar um pouco nas coisas.

A escrita da Ju continua sendo muito envolvente e você se entrega ao drama das duas protagonistas. Porém, achei que os outros personagens ficaram um pouco em segundo plano, mesmo aparecendo com mais frequência do que no primeiro livro.

A história trata do romance de uma garota considerada normal e de outra que está incluída em uma minoria. Por mais que seja fantasia e que fale de vampiros, ao meu ver, a mensagem do livro pode ser ampliado para praticamente todas as minorias que sofrem nas mãos dos que se julgam corretos. E achei incrível como a autora passa isso.

Sobre o final, pensei que tudo seria resolvido nesse livro, mas parece que terei que esperar mais. Digam-me, por que as pessoas param na melhor parte? Dessa vez, porém, não irei colocar isso como um ponto positivo, já que achei o final um pouco "aéreo". Talvez porque foi narrado por Louise, apenas depois de tudo acontecer, então não me envolvi tanto. Porém, a continuação promete solucionar todos os problemas, além de uma Eduarda completamente diferente. Esperemos.
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Apenas Sorri


Eu estava sentada no banco detrás vendo a paisagem passar rapidamente pela janela, formando um borrão nostálgico. Escutava o som que as outras pessoas faziam - toda a animação, todas as risadas, mas era tudo muito abstrato para que eu entendesse. Eu não queria... bem... entender, queria ficar com a arte multicolor da janela do carro.

Sentia-me perdida no meio das cores passantes, mas não mais perdida do que em todos os outros dias da minha vida.

Nós estávamos saindo. Iríamos nos divertir. Aproveitar a juventude. Iríamos ficar juntos e rir um pouco.

Mas lá estava eu. Havia me forçado a levantar da cama e me arrumar para o encontro com os velhos amigos. Havia dito que eu conseguiria fazer aquilo, que não seria tão doloroso. Havia dito que eles me faziam bem.

Mas ninguém sabia me fazer bem, nem eu mesma sabia. Sentia como se eu estivesse procurando algo, um algo inexplicável, uma sensação etérea. Queria me sentir completa. Queria que os outros me fizessem ver que estava completa. Mas não estava. Eu apenas havia me forçado. 

E estava vendo a pintura da janela. E uma mão me tocou. E eu virei. E eu sorri, como se tudo estivesse perfeito...

Apenas sorri. Perfeito.
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Resenha - Sereia Negra


Quem não gosta de sereias, não é mesmo? Devo confessar que comprei esse livro meio que no susto. Não conhecia nada sobre ele, não conhecia o autor, não havia escutado falar nem lido uma resenha. Mas às vezes eu faço isso, gosto da capa e título, leio a sinopse e compro. Muitas vezes fico feliz com o resultado (eu não me importo tanto com o tema, já que leio de tudo), outras vezes nem tanto. E com Sereia Negra? Bem... 

Sereia Negra - Vinícius Grossos
Editora: Selo Jovem
Páginas: 204

“Um peixe fora d’ água” – foi exatamente assim como Inês se sentiu a vida toda. No seu aniversário de quinze anos, Inês têm todos os seus sentimentos de revolta aflorados de forma aplacável; seu pai a abandonou assim que ela nasceu, sua mãe morreu no parto, ela nunca teve amigos, nem nunca se sentiu atraente o suficiente para os meninos com quem tivera contato. É então que Inês decide que sua vida deve ter uma mudança radical. Mal saberia ela que essa mudança estava mais próxima do que ela imaginava...
Numa tempestade repentina e sobrenatural, Inês é tragada pelos mares – tragada pelo seu mundo. Inês é uma sereia. E mais do que isso, ela é uma lenda viva – um ser aguardado por todas as sereias e tritões de Atlanta, um dos vários reinos que existem abaixo do mar sem o conhecimento dos humanos, como a grande salvadora deles. Inês é a Sereia Negra, a única sereia de cor negra de toda a história!
Mesclado de fantasia e magia, lendas gregas e brasileiras, somado a um retrato da nossa realidade social, Sereia Negra promete te mostrar uma nova visão não só desses seres fantásticos, mas de questões da vida que vão além da fantasia.

Inês é uma adolescente de quinze anos, irritadiça e que não aguenta mais a sua situação de vida. Por ser negra, sofre com o preconceito desde pequena. Ela não tem amigos, não vai à festas, não é considerada bonita pelos colegas de turma... Tudo porque é negra. Porém, seus motivos para ter um temperamento tão explosivo não são apenas o comportamento das outras pessoas (já que ela tenta convencer a si mesma que é melhor do que os outros por não ser racista, e que todos que a tratam mal sentem inveja por ela ser do jeito que é), mas também o que sabe sobre seus pais: sua mãe morreu durante seu nascimento, seu pai a abandonou e ela foi criada pelo avô materno que, mesmo sendo muito bom em vários momentos, é ranzinza e a sufoca um pouco.

Sua vida parece um tremendo caos e ela não entende porque se sente um peixe fora d'água. Até o fatídico dia que uma tempestade a puxa para o fundo do mar. Ela acredita que irá morrer, mas então percebe algo estranho: agora ela tem uma cauda de sereia.

Ok, já é meio surpreendente a pessoa ser puxada para dentro do mar e descobrir que é uma sereia. Mas as coisas podem piorar, ou melhorar, depende do seu ponto de vista, ela não é apenas sereia, mas é a única sereia negra que se tem notícia e a mandada pelos deuses para salvar aquela raça.

Nessa busca pelo seu passado (além do auto conhecimento), ela vai descobrindo quem ela é no mundo, quem eram seus pais e qual o seu verdadeiro papel na profecia e na vida de todas as criaturas que acreditam que irão ser salvas por ela.

Por mais que a história pareça ser aquele repeteco de uma pessoa que é levada para um lugar desconhecido e descobre que é a única salvação daquele povo (e suas variações), a história vai além disso. Comecemos do início.

Sereia Negra é narrado em primeira pessoa por Inês, então temos muito contato com o que a personagem verdadeiramente sente, suas lembranças, digressões... Além do mais, nós vamos conhecendo aquele mundo novo junto com ela e vamos descobrindo os segredos junto com ela.

Achei bastante interessante a maneira como os personagens foram construídos, além da evolução deles. No início, parece muito aquela coisa de bonzinho e mauzinho, mas depois vemos que se assemelha muito à realidade: ninguém é só bom ou só mau, cada um age do jeito que aprende, é influenciado ou deseja agir. Também, nem todos são aquilo que aparentam ser (talvez nem mesmo a gente seja). A principal evolução foi da protagonista, no quesito auto-aceitação e auto-entendimento.

A linguagem foi bastante fluída e eu me surpreendi bastante. Não é um livro de difícil leitura, mas também não é um daqueles que usa uma linguagem excessivamente simples.

Acho que um ponto negativo foi a pressa do autor. Talvez se a narrativa e descrição tivessem sido feitas com mais calma, mais ao seu tempo, o livro tivesse sido ainda melhor, mas muita coisa aconteceu em pouco tempo e senti como se nem nós, nem a personagem, tivesse tido tempo de entender os acontecimentos. Mas isso fez com que o livro se desenrolasse rapidamente e acabasse logo.

E a fantasia está em segundo plano na história, pelo menos para mim, já que senti que o autor procurou tratar principalmente a questão do racismo e colocar o leitor na pele de quem passa por isso constantemente. Talvez por isso tenha gostado tanto. Além do mais, achei que o autor não pecou na hora de narrar pelo ponto de vista feminino, mesmo a personagem não sendo aquele "padrão" de garota (com padrão eu quero dizer aquelas personagens que parecem reinar em chick-lit, mas que muitas vezes destoam da realidade), ela também não é um personagem neutro ou muito masculinizado. (E eu falo isso porque às vezes é difícil narrar pelo ponto de vista do sexo oposto, principalmente o livro inteiro e eu gostei bastante da personagem nesse quesito).

Acho que é um livro que merece ser amplamente lido, mesmo para quem não gosta de fantasia. Super recomendado!


Espero que tenham gostado da resenha! Não deixem de comentar suas opiniões. Já conheciam a história? Já leram ou pretendem ler? Deixa ai embaixo :)

Beijocas e até!
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Notícias


O rapaz se sentou em uma das cadeiras do barbeiro, esperando para que o mesmo senhor de sempre, baixinho de cabelos grisalhos, fosse atendê-lo. A multidão ali dentro era formada por apenas seis pessoas: dois barbeiros e quatro clientes; o suficiente para deixar o pequeno quadradinho antigo cheio. 

– Vai querer o de sempre? – Indagou o senhor. O rapaz se limitou a concordar com a cabeça.

Os outros clientes discutiam sobre o cotidiano e o rapaz rapidamente se integrou à conversa. “Vocês viram aquela babá que seduziu o jogador?” Comentou um, segurando o jornal aberto em uma página sem importância. 

– Vagabunda. – Respondeu o outro. – Coitada da mulher dele.

– Viram que o país tá em crise? Que horrível! Eu disse que o povo não ia votar direito. Porque eu, eu vote no outro candidato. – Objetivou mais um.

Conversa foi e voltou, foi e voltou, até se tornar um contente falatório entre todos ali. Conversaram sobre o preço das moedas internacionais, do combustível, do docinho da loja da esquina. Conversaram sobre a época de seca, as crianças que saiam da escola, as mulheres que passavam na frente. Conversaram sobre suas famílias. 

– Minha esposa passa o dia inteiro fora e quando chega nem tem tempo mais para mim. – Disse um.

– A minha é desse jeito. – Respondeu outro.

– Pois vocês tem é que ficar de olho na mulher de vocês. – Aconselhou o terceiro.

– Já a minha é diferente. – O rapaz comentou, empertigando-se na cadeira e examinando o cabelo recém-cortado e a barba feita. – Ela fica em casa e sempre está lá para mim. Nós estamos até pensando em ter filhos, ela ainda está um pouco receosa, claro, mas acho que logo teremos um ou dois.

– Você tem sorte. – Respondeu o primeiro, voltando a caminhar os olhos pelo jornal. – Que tristeza, a moça sequestrada ainda não foi encontrada.

– Essa ai já tá morta. – Comentou outro.

– Com certeza. Faz o quê? Três semanas? Já bateu as botas essa ai.

– Posso ficar com esse jornal? – Pediu o rapaz. O homem não pensou duas vezes e o entregou. – Foi um prazer conversar com os senhores. – Despediu-se o rapaz. Pagou e se foi pela ruela.

Ia cantarolando uma música pop que havia se tornado tendência. Estava animado, mais animado ainda para chegar em casa depois de um dia de trabalho e descansar. Virou umas ruas, passou por inúmeras casas até parar à frente de uma empressada entre outras duas bem maiores.

Rodou a chave. Entrou sem se importar com o barulho que fazia. Jogou o casaco sobre o sofá e anunciou alto “querida, cheguei!”. 

Subiu para o primeiro andar e abriu a porta do quarto. Jogou o jornal sobre a cama e sorriu para a mulher sentada na cadeira longe da janela. 

Ela apenas subiu os olhos molhados. Seu rosto pálido refletia a pouca luz que escapava pelas cortinas. Tentava falar, mas sua boca estava amordaçada. Tentava se mover, mas seus pés e pulsos estavam presos fortemente à cadeira. 

No jornal em cima da cama, a foto alegre de uma jovem de 16 anos, sequestrada a três semanas.
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