Resenha - eles eram muitos cavalos

eles eram muitos cavalos - Luiz Ruffato
Editora: BestBolso
Páginas: 154






Eles Eram Muitos Cavalos - No enredo de Eles eram muitos cavalos, Ruffato percorre a cidade de São Paulo, durante um dia, tentando desvendá-la. A cidade é apresentada em fragmentos, como um caleidoscópio de dilemas da megalópole. A linguagem é crua e de um realismo visceral.


eles eram muitos cavalos não é um livro fácil de ler ou de comentar. Não há uma história continua, ao mesmo tempo que é a história de um dia comum em São Paulo. Tudo passa em apenas um dia, mas poderia ser em qualquer dia do ano.

O livro foi dividida em textos curtos. Crônicas? Contos? Não se sabe. O autor mesclou diversos tipos textuais, então encontramos desde folhetos de propagandas a listas. Para quem está acostumado com o estilo "mais clássico" de Literatura, pode achar bastante confuso.

Muitos textos param no meio. Não possuem pontuação ou letras maiúsculas. Tudo isso para mostrar a rapidez como as coisas acontecem em meio a grande cidade. Personagens vêm e vão, como pessoas na rua, deixando seu rastro e suas histórias, mas não fazendo tanta diferença depois. 

Se pegar esse livro para ler, leia de uma vez e sinta as histórias como se fosse você caminhando em meio a São Paulo e escutando as pessoas conversando, vendo cenas cotidianas, lendo propagandas... Parece um complexo e bem estruturado sussurro da sociedade. Mostrando o que se esconde nas ruas, mesmo estando a altura de nossos olhos.

Eu pouco tive contato antes desse ano com Literatura contemporânea nacional (principalmente a que segue um pouco a premissa do Modernismo de criar algo novo e quebrar com o que estava em vigor). No principio é um choque não encontrar a história construída como estamos acostumados. Ou encontrar vários fragmentos de histórias e não saber o que veio antes ou irá vir depois. Mas é maravilhoso quando se entende e consegue entrar em uma obra contemporânea. É um jeito diferente de Literatura, mas muito animador.

Concluindo, o livro é complicado de ler, nem todo mundo gosta, nem todo mundo entende. Parece qualquer coisa menos Literatura, mas talvez por isso seja tão interessante. É uma representação da realidade quase naturalista, mas juntando os vários tipos textuais que encontramos quando, por exemplo, andamos em um dia comum pelas ruas.


O que acharam da resenha? Já conheciam o livro? Já leram? Não deixem de comentar a opinião de vocês. 

Beijocas e até mais!

Leia Mais ››

62- Holofotes


Os holofotes
Apontam meu rosto
Eu estou cega
Não sei para onde ir
E suas mãos
Que prometeram me guiar
Não encontro em nenhum lugar

Onde você está?

Leia Mais ››

61- Querida


Querida,

Não sei por onde começar. Por nenhum lado é fácil. Talvez eu comece pelo passado, dizendo o quanto um dia você me encantou. Seu jeito doce de ver as coisas. Seu sorriso raro, mas sempre brilhante. Seus olhos curiosos com uma beleza peculiar. Isso tudo me fez lhe amar cada vez mais. O que só torna as coisas mais difíceis. Nós dois sabemos que de uns tempos para cá a vida nos apresentou desafios - os quais você enfrentou bravamente sem nem ao menos indagar o porquê de tudo ser tão difícil para nós dois. Mas eu não. Eu não consigo. Não que eu não rodasse o universo inteiro por você. Não que eu não me afogasse em águas profundas para lhe salvar. Pelo contrário. Eu faria tudo isso e muito mais por você. Mas eu não consigo! Não consigo lhe ver sofrendo por minha culpa. Não consigo ver tanta maldade nos olhares das pessoas virados para você. Isso me mata aos poucos. Não consigo lhe ver sofrer. Eu sei que o adeus irá doer também. Que eu estou desistindo do que construímos e sonhamos. Sinto muito. Mas você verá que é para o seu bem. Eu irei lhe proteger sempre, mesmo que afastado. Eu estarei ao seu lado mesmo que não possa me ver. Mas quero que busque a felicidade em outra pessoa e que o mundo também lhe faça feliz. Eu lhe amo, mas é hora de deixá-la ir.

Um abraço,

A pessoa que não aguenta mais lhe ver sofrendo.
Leia Mais ››

60- Escuridão


Você sempre disse
Para eu não ter medo
Do escuro
Disse que nada
Poderia me machucar
Vindo dali
Disse que estaria ao meu lado
Para me
Proteger
De todos os monstros
De dentro do armário

Só eu que não percebi
Realmente não precisava
Temer o que havia no escuro
Porque o que eu precisava temer
Estava ao meu lado

Você se tornara

A minha escuridão
Leia Mais ››

59- Labirinto



Minha mente é um labirinto
Meus pensamentos
Andam trôpegos
Pelo escuro tormento

A luz não chega ali
Precisa procurar outra coisa
Para tentar sair

E imagina se você
Que de fato não me conhece
Irá achar um meio 
De descobrir a saída? 


[Talvez eu não lhe ajude a descobrir a saída, mas adoraria ser a luz que irá guiá-la no percurso.]

Leia Mais ››

58- Fogo


A chama da vela se movia sedutoramente. Parecia chamar com sussurros estralados, pedindo para que se aproximá-se, mas sempre afastando rapidamente todos que tentavam tocá-la. Nunca entendi bem como aquela beleza parecia ser daquele jeito. Linda, porém solitária. Precisava de companhia, mas sempre as afastava. Mamãe costumava falar que o fogo era como as pessoas de coração fustigado: precisavam de pessoas para fazê-las feliz, mas sempre as afastava por medo de sofrer. Agora a pergunta é: quando foi que me tornei fogo?
Leia Mais ››

Nossos Olhos


As pessoas enxergam o que está ao alcance de suas mãos. Como um dia eu esperei mais? Cometendo o mesmo erro: vendo apenas com meus olhos.

Eu não entendo muito tudo isso, mas busco melhorar o que meus olhos conseguem ver. Nunca estive em diferentes faces da moeda, nunca preferi "isso àquilo", nunca nem ao menos parei para me indagar como as pessoas pensariam sobre minhas tão malucas formas de pensar.

Era muito ingênua em inúmeras questões até meus olhos serem abertos com força e eu ter que encarar a realidade de outro jeito. E ela sempre havia estado ali daquela maneira? Como eu nunca tinha parado para colocar o que me afligia para fora e buscado encontrar pessoas que pensassem da mesma forma? Como eu fui cega de viver em um mundo de fantasias, quando meu próprio universo precisava de um herói? Não um herói. Centenas deles. 

O que eu construí para mim vai ruindo aos poucos. As marcas de meus passos parecem não fazer mais diferença por onde eu passei, já que só são importantes para mim. E por mais que eu continue me treinando para ver o mundo de uma nova forma, as pessoas continuam as mesmas. No que isso muda? Em nada muda. Eu ainda me sinto acorrentada, querendo sair voando pela janela e conhecendo mundos novos e vivendo minhas ideias sem que me impeçam. E ora se eles não me impedem. Todos influenciam em algo. Mesmo que com seus olhos fixos em alguma coisa que não me faz mais respeito. 

O mundo está mudando. As pessoas não são mais as mesmas, mas umas insistem em continuar enxergando apenas o que está ao alcance de suas mãos. Prendendo todos aqueles que pensam e sentem diferente. Uma pena. 
Leia Mais ››