57- Quem você pensa que é?


Quem você pensa que é
Para ficar sentado
Quieto
Encarando-me com os olhos travessos
E um sorriso de zombaria no rosto?
Movendo as mãos
Hipnotizante e sedutoramente
Como se soubesse o que faria
Eu ceder e me entregar a você.
Quem era você
Para jogar sem seguir as regras
E achar que eu era apenas mais uma
Daquelas infinitas garotas
Que se derreteriam pelo seu sorriso?

E por mais que eu me indagasse, deixava de lado o fato de que naquele momento, eu que não sabia mais quem eu era. 
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56- Na estrada


O asfalto estava molhado pelas minhas lágrimas. Os tênis rotos arrastavam-se pela estrada, afastando-se de toda dor, mas também de todos momentos felizes. As despedidas sempre foram difíceis e desta vez não teria mais uma forma de voltar e dizer que havia sido uma brincadeira de mal gosto. Tinha tudo ficado para trás naquela cidade que sempre foi meu pequeno mundo, mas que estava prestes a se tornar apenas passado. 

Disseram-me para não olhar para trás, que o futuro era seguindo adiante. A dor do adeus iria passar e tudo iria ser diferente. Disseram-me para ter coragem e seguir meus sonhos. As coisas se organizariam, mais cedo ou mais tarde.

Paro. Estou sozinha nessa infinita estrada. Poderia virar rapidamente o rosto, só para conferir se tudo estava bem, mas eu sabia que a cidade se estendendo pelo horizonte me faria lembrar de tudo e desistir. Respiro fundo. Corro. Meu rosto vira-se brevemente, ignorando as ordens de meus pensamentos, mas já é tarde demais. Eu já estava muito longe para desistir. 
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Recomendação #3 - Imagine Eu e Você


Eu tinha dito para mim mesma que precisava assistir a algum filme. Então, aproveitei a semana passada e toda a lerdeza do feriado para assistir ao filme: Imagine Eu e Você.

Ok, não sei como cheguei nele. Não sou do tipo de garota que gosta de comédias românticas, mas me diverti bastante com essa. 




No dia de seu casamento com Heck (Matthew Goode), Rachel (Piper Perabo) começa uma amizade com a florista Luce (Lena Headey). A noiva planeja apresentá-la a Cooper (Darren Boyd), amigo do marido, mas Luce revela ser lésbica. As duas passam cada vez mais tempo juntas e Rachel logo começa a questionar seus sentimentos e seu estado civil.





Sabe aquela frase: "Se a ama, deixe-a ir. Se ela amá-lo, irá voltar"? (Ou qualquer variação dela). Pois bem, acho que serve perfeitamente para esse filme. O que eu mais gostei, mesmo se tratando em uma descoberta sobre sua sexualidade (como um monte de outras histórias), foi a amizade das protagonistas e a maneira fofa como elas se tratavam. Como amigas antes de amantes. Buscando o melhor para a pessoa amada, nem que isso doa. 

A única coisa que achei meio "nhen" foi o final-final. Mas é uma comédia romântica, tenho que dar um desconto. 


E você já conhecia o filme? Comente ai o que achou :)
Beijocas e até mais. 
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55- Não seria bom?


Não seria bom
Longas horas
Sob uma sombra
Cabeça no colo
Colo na cabeça
Respirações ritmadas
Sorrisos
Páginas abertas
- Fantasia -
Eu e você
Não seria bom?

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Quem sabe você não é mais aquela garotinha


Quem sabe você não é mais aquela garotinha. 

Sentada no ponto de ônibus, completamente sozinha. Os dedos inquietos enrolando o cabelo escuro. As pernas esfregando, uma na outra, as meias três quartos. Seus lábios se movendo timidamente, com o mesmo ar enérgico de uma reza. Tudo parecia muito diferente de anos atrás. Mas seu rosto angelical ainda era o mesmo. O mesmo ar infantil. Como se seu mundo se mantivesse alheio às verdades. 

Quem sabe você não é mais aquela garotinha. Que corria com os joelhos ralados e se sujava junto com todos os meninos. Com o cabelo sempre preso em um rabo de cavalo e os óculos tortos escorregando pelo nariz fino. 

Agora sua alma poetiza tinha os olhos distantes, sonhadores. O corpo ainda vazio do prazer de amar, mas não estava esperando por um príncipe, cavaleiro ou bardo. Tão diferente da garotinha que conheci há anos. Os lábios naturalmente rosados, movendo-se sedutoramente. Carregando um livro clássico sob o braço e escutando alguma música nos fones discretos. E pensar que você ainda repetia a velha frase: "Deveria parar de perder tempo sonhando". Mas sonhar era o que mais fazia. 

Não era mais uma criança como eu costumava vê-la. Havia se tornado uma mulher. E eu só agora me dando conta do quanto cresceu. 

Você não era mais aquela garotinha. 


[Baseado em "Malandragem" - Cazuza e Frejat / Cássia Eller]
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54- Bateu a porta e foi embora.


Ontem você disse que não quer mais nada. Bateu a porta, foi embora. Eu fiquei só. Sentado em pleno corredor. Encarando a parede branca e me lembrando de tudo o que aconteceu nos últimos oito anos. Não sei se você se lembra, mas foi no café da rua de baixo que nos conhecemos. Você tomando suco de laranja. Eu apressado como sempre, esperando impacientemente o meu copo extra-grande de café com Chantilly. Você ainda acha engraçado eu detestar café, mas só beber isso. Eu ainda acho engraçado você adorar café, mas só beber suco. Eu estava saindo e você levantando. O choque foi inevitável, mas durou por oito longos anos. Quem diria. Lembra-se do primeiro encontro? No parque da cidade, você aprendendo a andar de patins e eu mostrando meus dons enferrujados? Mas claro que você me mostrou que era muito melhor do que eu na velha mesa de pebolim esquecida no fundo da minha garagem. Não sei se você se lembra, do primeiro beijo, na frente do meu trabalho, depois de muito tempo que eu tinha planejado te beijar. Não sei se você se lembra, da nossa primeira noite juntos, ao som de Elvis (o seu favorito) e Tchaikovsky (o meu favorito). Não sei se você se lembra, de todas as risadas, abraços e noites com falta de luz (que passamos contando histórias de nossos antepassados). Não sei se você se lembra. Quando eu fui à sua formatura e você veio morar comigo. Ou quando decidimos nos mudar para um bairro mais calmo (e, coincidentemente, perto de onde tudo começou). Não sei se você se lembra. 

Mas você disse que não quer mais nada. Bateu a porta e foi embora. 
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53- Consegue escutar?


A mente turbulenta abafa todos os ruídos ao redor. Nada mais é escutado quando os pensamentos gritam mais do que tudo. O mundo parece sussurrar quando a preocupação está apenas em seu ser. Toda a beleza dos ruídos se torna inaudível sob o barulho das dúvidas e lamentações. O cantar dos pássaros se torna distante. A risada de uma criança não parece mais tão sublime. Os bom-dias e tudo-bens passam despercebidos. O tão esperado eu-te-amo, o farfalhar dos cabelos ao vento, o estralar do beijo, o último adeus, o estourar das bolhas de sabão... Tudo deixa de importar. Quando não se nota. Quando não se importa.

E você? Consegue escutar?
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