Resenha - Agnes Grey


Anne Brontë era a única das irmãs Brontë que eu nunca havia lido nenhuma linha. Em um belo dia estava andando pela livraria quando me deparo com esse exemplar de Agnes Grey. Como viciada em comprar livros que sou, não pude perder a oportunidade. Agora trago a vocês o que achei da leitura. 



Agnes Grey - Anne Brontë
Editora: Wordsworth
Páginas: 192
Nota: 4

Agnes Grey is a trenchant exposé of the frequently isolated, intellectually stagnant and emotionally starved conditions under which many governesses worked in the mid-nineteenth century. This is a deeply personal novel written from the author’s own experience and as such Agnes Grey has a power and poignancy which mark it out as a landmark work of literature dealing with the social and moral evolution of English society during the last century



Agnes Grey é a filha de um pastor que, após seu pai afundar em dívida, resolve se aventurar trabalhando como governanta. Durante sua vida inteira havia sido impedida pela mãe e a irmã de realizar tarefas (as mais simples que fossem, por ser a filha mais nova), então a ideia de trabalhar e poder ajudar a família é um passo importante para mostrar aos pais que ela era sim capaz. 

O livro, ao contrário dos romances escritos pelas outras irmãs Brontë, não é uma história de amor, ou aquele tipo de texto que as apaixonadas por histórias vitorianas parecem tanto gostar. É um livro mais realista, que propõe mostrar como as famílias aristocratas tratavam seus subordinados e as classes menos abastardas. 

A história é narrada em primeira pessoa, pela própria protagonista. Não há uma romantização dos personagens, nem mesmo de Agnes, então podemos ver com clareza como eram os diversos pensamentos da época. [Uma breve explicação sobre a posição de governanta: elas estavam a cima do nível da criadagem, normalmente de classe média - ou o que seria equivalente hoje. Desta forma, há um distanciamento entre os patrões e a governanta e entre a governanta e os criados.] Por mais que Agnes esteja longe de se comportar como seus contratantes, ainda é possível notar certo pensamento contra as classes mais baixas, o que ao meu ver torna a protagonista ainda mais real.

Quando li Jane Eyre, escrito pela Charlie Brontë, não tive dificuldades com o inglês ou o ritmo da história. Com Agnes foi um pouco diferente, não que a leitura no idioma original tenha sido desagradável, mas o livro é composto por parágrafos muito extensos, que muitas vezes me deixava um pouco perdida. 

A autora não perde tempo com longas descrições, preferindo dissecar o comportamento dos personagens do que descrevendo cada ambiente exaustivamente.

Foi uma leitura bem proveitosa, interessante ver outras faces da época, e não apenas uma romantização. Das três irmãs, Anne é a mais realista, o que não estraga a obra. Sua crítica ainda é bastante atual, seus personagens são reais e a leitura nos faz pensar não apenas na forma como tratamos que não é da mesma classe que nós, mas também como os pensamentos de épocas mudam e que muita coisa que conhecemos do passado é uma face da moeda.

Uma leitura recomendadíssima para quem gosta do período vitoriano e que queira conhecer mais sobre a época e suas formas de pensar. 





Sobre a autora

Nascida em Thornton, Yorkshire, na Inglaterra, Anne é a mais nova das três irmãs Brontë, todas escritoras famosas. Ela, Emily e Charlotte morreram relativamente cedo, todas vítimadas pela tuberculose. As três adotaram pseudônimos em suas carreiras. Charlotte, a mais velha, assinava suas obras com o nome de "Currer". Emily, autora de "Wuthering Heights (O morro dos ventos uivantes)" usava o nome de "Ellis" e Anne, "Acton Bell".





Espero que tenham gostado da resenha! Já conheciam o livro? Já leram outra coisa da autora ou de suas irmãs? Não deixem de comentar aí embaixo ♥

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